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Um Porsche ecológico, híbrido que quase conquistou a Europa

Que a Porsche faz bons carros não é novidade, nem que ela está flertando com tecnologias ecológicas, verdes, fofinhas, mas esse Porsche em especial é verde mas de fofinho não tem nada. É praticamente o Hulk…

01/12/2014 às 19:30

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Há quem olhe para Hitler e só veja defeitos. Eu prefiro ser justo e reconhecer que se por um lado ele tinha algumas idéias questionáveis (dizem que era vegetariano!) o baixinho sabia planejar para o futuro, tanto que em 1941 mesmo tocando terror na Europa, ele já investia em pesquisas para produção de novas e terríveis armas.

Os tanques da Wehrmacht não eram invencíveis mas chegavam perto. Nada que os aliados usaram chegava aos pés dos blindados alemães, mas Hitler não ficou deitado em seus louros (arianos). Em 26 de maio de 1941 em uma reunião solicitou a seus dois maiores fornecedores que produzissem protótipos do Tiger, o novo tanque pesado do exército. Os fornecedores eram a Henschel & Son e um tal de Porsche. É, aquele Porsche, que em 1938 havia sob ordem direta de Hitler cometido uma atrocidade que atravessaria décadas: o Fusca.

A proposta da Henschel no final foi a escolhida, e se o tanque resultante, o Tiger I era assustador, a sorte dos aliados foi que a máquina industrial alemã não conseguia no final da guerra produzir o Tiger II em quantidades significativas. Mesmo assim o mérito maior fica com Ferdinand Porsche, seu tanque rejeitado ecoa até hoje.

O maior defeito do VK4501, ou Tiger P, foi ser muito, muito à frente de seu tempo. Ao contrário dos tanques tradicionais, com complicadas transmissões, motores Diesel e caixas de marcha, o tanque do Porsche era… um híbrido.

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Sim, é híbrido. Chama de ecochato, vai!

Isso mesmo. Manja o Toyota Prius, carrinho ecológico, verde, bonitinho, que salva a natureza? Usa a mesma engenharia criada por Porsche.

No Tiger P dois motores de 10 cilindros produzindo 320 hp cada alimentavam dois geradores elétricos da Siemens, que por sua vez acionavam motores elétricos de 230 kW nas rodas. Ele fazia 40 km/h na estrada, com autonomia de 130 km. 65 toneladas impulsionando um canhão de 88 mm, made in Krupp.

O Tiger P nunca funcionou direito, nem como protótipo. Vivia quebrando, a parte elétrica exigia muito cobre, material escasso em tempos de guerra e a performance era marginalmente próxima dos equipamentos convencionais.

70 anos depois, os carros elétricos ainda não disseram a que vieram, com seu enorme calcanhar de Aquiles do tempo de carga e autonomia. Enquanto isso o mercado está se movendo para os híbridos, aproveitando a eficiência dos motores elétricos e a capacidade de motores convencionais menores gerarem eletricidade com bem menos desperdício do que quando são usados para mover rodas.

A idéia, em verdade, é até mais antiga que o Tiger P. Em 1901 foi lançado um carro híbrido nos moldes dos de hoje. Para fazer seu tanque Porsche bebeu na fonte de um gênio da engenharia: ele mesmo.

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O carro era o Lohner-Porsche, um monstro de 4 toneladas (yay baterias!) com tração nas quatro rodas, 56 hp e quatro motores elétricos, alimentados por uma bateria recarregada por um gerador a gasolina. Provavelmente no Grande Prêmio Ladeira Abaixo Porsche conseguiu fazer 60 km/h com esse monstro. Mais ou menos a velocidade de um Prius.

O carro tinha tantas idéias à frente de seu tempo que foi estudado pela NASA quando projetaram o Jipe Lunar.

Hoje o Porsche 918 Spyder é a culminação de mais de 100 anos de tecnologia, ou uma idéia de 100 anos, depende do ponto de vista.

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Ele pode ser recarregado na tomada, ou com o gerador acionado pelo motor V8 4,6 L de 608 hp. Em modo 100% elétrico, silencioso e emissão zero esse bicho atinge 150 km/h, com autonomia de 30 km. Acima dessa velocidade você entra em modo híbrido, com o motor ronronando a 800 RPM alimentando o gerador, carregando as baterias e impulsionando os motores elétricos, que adicionam 279 hp ao conjunto. Em modo Sport ele faz 0-100 km/h em 2,6 segundos. Velocidade máxima, 340 km/h.

Aqui o bicho em ação:

TOP GEAR PORSCHE 918 from BEN JOINER on Vimeo.

Consumo? Em modo civilizado, se você andar abaixo de 150 km/h e sair de casa com a bateria carregada e o tanque cheio, ao final terá percorrido os 680 km de autonomia, com um consumo de 34 km/litro de gasolina. Desculpa aí Uno Mille.

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“Isto ser uma carro? Só você parra me fazer rir, Ferdinand…”

Isso é o resultado de 100 anos de evolução tecnológica, a demonstração de que As idéias novas não são necessariamente melhores, há idéias antigas excelentes, basta que a tecnologia esteja pronta pra elas. Ferdinand Porsche podia não ser lá muito bom em escolher amizades, mas da mesma forma que Werner Von Braun, sabia olhar para o futuro.

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