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DOJ dos EUA volta a apelar para o FUD contra criptografia de smartphones

Departamento de Justiça dos EUA apela mais uma vez para o FUD: segundo o órgão criptografia de iPhones e Androids pode levar a tragédias

20/11/2014 às 13:30

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Depois da dor de cabeça que Edward Snowden causou em 2013, boa parte das empresas de tecnologia decidiu que não vão mais deixar seus dados e o de seus usuários ao Deus-dará, com livre acesso para órgãos governamentais fuçarem a torto e direito. Só que o passo dado por Apple e Google não agradou o FBI, a polícia e o procurador-geral dos Estados Unidos.

O ofendido da vez é o vice-procurador-geral James Cole, que assim como os anteriores está apelando para o FUD afim de convencer a opinião pública de que monitoramento de dados é necessário.

Vamos recapitular: quando Apple e Google decidiram que a criptografia tanto no iOS 8 quando no Android 5.0 Lollipop passaria a ser ativada por padrão, a grande maioria dos órgãos de segurança chiou em uníssono: isso porque as chaves não mais ficarão nas mãos das empresas, mas com os usuários. Mesmo com um mandado judicial elas não poderiam fazer nada a menos que o dono do smartphone em questão deseje compartilhar seus dados com as agências, algo que dado o cenário atual é muito difícil de acontecer.

A reação não foi das melhores. O diretor do FBI James Comey já deixou claro em declarações anteriores que tal situação é “inaceitável”, e já deu a entender que vai pressionar todo mundo – inclusive o Congresso, hoje dominado pelos republicanos – a fim de fazer com que as empresas abram “portas exclusivas” para os órgãos voltarem a ter acesso aos smartphones dos usuários. O procurador-geral Eric Holder também deu a mesma sugestão para resolver o impasse, bem como apelou para o FUD, dizendo que a atitude de ambas empresas “coloca as crianças em risco”, assim como o detetive-chefe da polícia de Chicago disse que o iPhone se tornou “o smartphone número um dos pedófilos”.

O alvo dessa propaganda sensacionalista são sempre as crianças, as mais frágeis e suscetíveis a um meliante maníaco aliciador que possua um smartphone criptografado (na cabeça desses ineptos, todo mundo agora é um criminoso em potencial). Agora foi a vez de James Cole, vice-procurador-geral dar seu pitaco: durante uma reunião com executivos da Apple no último mês ele foi categórico, segundo uma testemunha:

Novas tecnologias de criptografia que tornam iPhones impenetráveis para os órgãos de justiça podem levar a tragédias. Uma criança poderia morrer, já que a polícia não teria como acessar o celular de um suspeito.

Embora a justiça norte-americana tente de qualquer jeito mudar a opinião dos cidadãos, essa é provavelmente uma batalha perdida. O Congresso não está tão animado a colaborar com o FBI e perder o apoio do eleitorado, e mais empresas estão aderindo à criptografia de ponta-a-ponta, sendo o WhatsApp o mais recente app a contar com a novidade.

A verdade é que tomamos uma estrada de mão única. As diversas trapalhadas que NSA e cia. Limitada fizeram nos últimos anos minou a confiança das pessoas, e as empresas não querem e não vão ser coniventes com essa situação. À eles só resta botar a cuca para funcionar e descobrir novos métodos para recuperar o acesso aos dados dos usuários, sem ter que exigir que Apple, Google, Microsoft, Facebook e etc. estendam o tapete para eles.

Fonte: WSJ.

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