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Pior Coreia terá que substituir sistema de identificação do país

Governo da Coreia do Sul terá que substituir completamente o sistema de identificação do país; série de ataques durante anos comprometeram os dados da população

15/10/2014 às 15:01

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Parece que a coisa anda feia pra danar na Pior Coreia. O governo local está estudando revisar todo o seu sistema de identificação nacional dos cidadãos — criado nos anos 60 quando o país ainda era uma ditadura — incluindo alterar os números dos documentos de todo mundo após uma série de ataques de hackers que comprometeram mais de 80% dos registros.

Considerando que a Coreia do Sul tem um orgulho extremo de sua expertise em tecnologia, admitir uma falha tão catastrófica é uma vergonha e tanto. E recentemente vimos um problema não muito menor que este atingir a rede bancária do país. Na verdade o roubo está diretamente ligado ao roubo dos dados de cartões de crédito de 20 milhões de cidadãos no início do ano, e entre os afetados estão inclusive a presidente Park Geun-hye. Como todo o sistema é interligado e os ataques vêm sendo praticados desde 2004, o governo não vê muitas opções a não ser jogar tudo fora e começar do zero, com novos números de identificação para todos.

Segundo o pesquisador e “pai da internet da Ásia” Kilnam Chon, a falha cresceu tanto que a possibilidade de arrumar o sistema atual é praticamente inviável. Por outro lado, estabelecer um novo sistema para substituir o atual, trocar os documentos de todos os cidadãos e garantir que ele seja blindado contra hackers não vai sair nem um pouco barato: Chon estima um gasto total de alguns bilhões de dólares e um tempo mínimo de uma década para que tudo seja resolvido.

O grande problema é que a geração dos números dos documentos de identificação dos sul-coreanos não é aleatória, mas baseada na data de nascimento, sexo e outros dados. Basta um ladrão conseguir um documento roubado e um telefone que esteja relacionado para ele fazer a festa (obviamente não há meios de uma pessoa trocar seu número de identificação). Logo vê-se que ele não é um sistema tão seguro, fruto de uma época em que eles eram usados para controlar a população. Hoje as IDs servem pra absolutamente tudo, praticamente não há um único serviço na Coreia do Sul que não exija identificação.

Apesar de se gabar como um país altamente tecnológicio e que vende seus produtos para o mundo todo, chega a ser irônico o fato de seu sistema de identificação ruir como um castelo de cartas simplesmente porque o governo não quis trocar um método arcaico dos tempos da ditadura por um mais resistente a hackers.

Fonte: ABC.

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