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Windows 10, privacidade e pessoas que não param para ler

Internet entra em polvorosa ao descobrir que a Microsoft coleta tudo que o usuário do Windows 10, só que esqueceram de ler os Termos de Uso do Software

15/10/2014 às 11:01

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Depois que Edward Snowden botou a boca no trombone no ano passado, a maioria das empresas de tecnologia está pensando duas vezes quando se trata de coletar os dados do usuário. Umas seguem a vida normalmente, outras como a Apple e o Google usam de transparência e até mesmo oferecem ferramentas de criptografia nativa (algo que o o FBI, a NSA, a polícia e o procurador-geral dos EUA não curtiram), mas no caso da Microsoft ela está hoje em uma situação delicada, correndo para finalizar o Windows 10. Feedback dos usuários é essencial, mas e se mesmo com um milhão de usuários a grande maioria não colaborar (o que é bem passível de acontecer)?

Por isso não é surpresa que Redmond faça uma coleta massiva de toda e qualquer atividade do usuário no sistema, e agora a internet está um caos porque descobriram a verdade. Só que há um detalhe: a Microsoft avisou antes.

A bagunça começou quando a Forbes publicou um artigo jogando na via pública o que a Microsoft já havia deixado claro na página de Políticas de Privacidade do Windows 10: que a companhia pode e irá coletar dados massivos do usuário e que ele só deve utilizar o SO se estiver de acordo com isso. O objetivo da empresa é aprimorar o sistema, e só contar com o feedback espontâneo não basta.

Os pontos que deixaram os desinformados de cabelo em pé (o meu não, além de estar ciente estou sem nenhum no momento) são:

  • informações sobre hardware e quaisquer software instalado para fins de compatibilidade;
  • coleta de gravações de áudio, para melhorar o reconhecimento de fala do Windows 10;
  • informações sobre qualquer arquivo que você venha a abrir, o aplicativo utilizado, o tempo que ele fica aberto para fins de performance;
  • esse é problemático: coleta de tudo que o usuário digita para melhorar preenchimento automático e correção ortográfica.

Veja bem, não estou defendendo a Microsoft neste ponto, mas as pessoas precisam se atentar que o Windows 10 é um preview, uma versão alfa de um SO que só deveria ser utilizado por profissionais e pessoas realmente interessadas em ajudar com o desenvolvimento da nova versão do sistema operacional. A empresa adquirir informações dos usuários como está fazendo não só era esperado como inevitável, embora eu fique com os dois pés atrás no que diz respeito a coletar dados do teclado. Ainda que tenha avisado os usuários, essencialmente o Windows 10 é um keylogger, arquivando cada palavra que o usuário digita e enviando para Redmond.

Ah sim: a Microsoft também deixou claro que qualquer coisa que vocês espetar no computador com o Windows 10 será vasculhado e terá seus dados coletados. Chamadas, SMS, histórico de navegação... essencialmente tudo. Informações de sua rede doméstica e obviamente outros aparelhos que fazem uso dela também serão coletados.

Não estou dizendo que a Microsoft está completamente certa em vasculhar os dados do usuário de forma tão flagrante, mas os mesmos devem entender que por se tratar de um preview, era de se esperar algo assim e mais, em resposta ao site WinBeta a empresa ressaltou isso e lembrou que ao instalar o SO, o usuário concordou com os termos.

A grande reclamação do preview do Windows 8 foi que a Microsoft não ouvia o feedback. Agora ela está ouvindo bem até demais, e é preciso sim ficar atento com como você utiliza o sistema e evitar compartilhar dados sensíveis demais. Só não dá para dizer que os usuários não foram avisados.

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