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Amputados recuperam sensação de tato via prótese e sensores

Estudo é o primeiro a apresentar resultados do tipo; pacientes recuperaram sensação de tato e puderam identificar materiais através de sensores nas próteses

10/10/2014 às 11:00

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Parece até brincadeira, mas um estudo não possui conexão direta com outro e ainda assim, foram divulgados em um curtíssimo espaço de tempo entre eles: ontem eu publiquei este texto sobre o paciente sueco dotado de uma prótese fundida ao osso do braço, e que graças a eletrodos ligados diretamente nos músculos e nervos é capaz de movê-la só com a mente. Lá comentei que o próximo passo seria adicionar feedback, a capacidade do paciente recuperar a sensação de tato.

E eis que uma equipe de pesquisadores da Case Western University publicou ontem um artigo revelando ter pela primeira vez conseguido fazer com que um amputado voltasse e sentir texturas através da prótese.

O estudo é o mesmo que o Cardoso publicou no fim de 2013, inclusive com o mesmo candidato, um voluntário chamado Igor Spetic que pedeu o braço em um acidente com um martelete industrial há quatro anos. Porém o artigo publicado joga mais luz no que a equipe do dr. Dustin Tyler, responsável pela pesquisa está realizando. Anteriormente já tínhamos visto Spetic controlar a pressão necessária para retirar os cabinhos das cerejas, graças ao feedback que os sensores instalados nas pontas dos dedos da prótese lhe deram. Ele também testou outros materiais, e um em especial lhe causou uma sensação familiar: "(Ao tocar o material) eu soube imediatamente que era algodão" ele diz, porque bolas do material costumam lhe dar arrepios. E ele sentiu a mesma coisa ao manuseá-las com a prótese.

O dr. Tyler diz que outras equipes de pesquisadores já tentaram métodos semelhantes de comunicação com o cérebro, na maioria das vezes estimulando os nervos com impulsos elétricos. Entretanto, na maioria das vezes os pacientes reportavam sensações estranhas, principalmente formigamento. O dr. Tyler diz que "estão aprendendo a falar a língua correta do cérebro agora", já que sua pesquisa de fato está devolvendo as sensações de tato corretas, e causando reações que há muito tempo os pacientes não tem mais como sentir pelos membros que perderam. Os pulsos elétricos utilizados pela equipe são bem fracos e apesar de irem do braço para o antebraço, a sensação de tato vai dos sensores diretamente para o cérebro, cortando caminho. "O cérebro não sabe que foi hackeado", brinca o dr. Tyler.

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Próteses com sensação de tato seriam um avanço impressionante na vida de amputados, pois devolveria a eles algo que a mais perfeita mão biônica não tem como prover: controle fino. Mesmo que o usuário consiga comandar a mão com o pensamento, os movimentos são bruscos e bem mais limitados do que a mão perdida. Manusear objetos pequenos e complexos, ou materiais delicados dependem não só de controle motor mas da sensação de tato, e um braço artificial com sensores embutidos que seja plenamente capaz de devolver essa sensação representaria um ganho enorme na qualidade de vida dessas pessoas.

Para meis detalhes, o artigo sobre a pesquisa foi publicado na Science e pode ser conferido aqui.

Fonte: PS.

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