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Ímãs são usados para melhorar a memória (onde compra?)

Novo estudo sugere que estimular certas regiões do cérebro com pulsos eletromagnéticos pode melhorar a memória em pessoas saudáveis. O aperfeiçoamento desse experimento poderia evoluir à terapias para pessoas com déficit de memória.

10/10/2014 às 11:45

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Quem nunca se esqueceu de algo e ficou irritado com isso? Seja nomes, datas, aniversários ou se até mesmo de fechar o carro. A construção de memórias está relacionada a vários fatores, porém as perdas de memória se aceleram com o passar da idade e por doenças neurodegenerativas.

Agora, através da aplicação de pulsos eletromagnéticos na cabeça para determinar as regiões do cérebro, os pesquisadores descobriram uma maneira de aumentar o desempenho da memória em pessoas saudáveis. Os novos estudos correlacionaram as redes neurais que mantém as memórias e podem levar a terapias para pessoas com déficit de memória.

A estimulação magnética transcraniana (ou transcranial magnetic stimulation, TMS) é uma terapia cada vez mais popular para os transtornos psiquiátricos que envolve a colocação de um certo tipo de ímã no couro cabeludo para estimular diferentes regiões do cérebro. Embora os pesquisadores não tenham certeza por que ou como ele funciona, parece beneficiar alguns pacientes. No ano passado, por exemplo, a Food and Drug Administration norte-americana aprovou vários dispositivos TMS para o tratamento de enxaquecas e depressão.

Estudos também tem demonstrado que a técnica pode melhorar o desempenho em diferentes tipos de testes de memória, mas alguns pesquisadores tem investigado se os benefícios persistem após a parada da estimulação. Para isso, é observado como o estímulo afeta os circuitos de memória do cérebro, é o que explica Joel Voss, neurocientista da Escola Feinberg da Universidade Northwestern of Medicine, em Chicago, Illinois.

Para começar a responder essas perguntas, Voss e seus colegas recrutaram 16 adultos saudáveis ​​que estavam com idades entre 21 e 40. Usando scanners de ressonância magnética de imagem (MRI), os pesquisadores fizeram mapas detalhados do cérebro dos voluntários localizando o hipocampo, uma região do cérebro fundamental para memória, e suas conexões com outra região do cérebro chamada córtex parietal. Os exames de MRI da atividade cerebral apresentaram maior tráfego neuronal entre as duas áreas nas pessoas que estão realizando tarefas relacionadas à memória e lesões entre as áreas pode resultar em graves déficits na capacidade de lembrar rótulos adequados como relacionar nomes com rostos, afirma Voss.

Após a realização de um teste de memória para os participantes, a equipe começou as sessões de estimulação cerebral, incidindo rapidamente pulsos magnéticos em uma área pequena, do tamanho da ponta de um dedo, em direção à parte de trás do crânio durante 20 minutos por dia. A localização do estímulo era um pouco diferente entre os indivíduos, baseado em imagens do cérebro que mostram suas conexões únicas entre o córtex parietal e hipocampo, Voss explica. Após cinco dias, os participantes receberam uma pausa de 24 horas da estimulação e foi pedido para eles repetirem o teste de memória. Pessoas que receberam TMS melhoraram sua pontuação em cerca de 20% a 25%, enquanto o grupo controle, que não recebeu a estimulação, obteve pouca ou nenhuma melhora, é o que Voss e seus colegas relatam na revista online da Science. As varreduras do cérebro também mostraram um aumento na quantidade de comunicação entre o hipocampo e o córtex parietal em indivíduos que receberam a estimulação.

Quanto mais as duas regiões trabalharam juntas, melhor foi o desempenho das pessoas nos testes de memória.” — Joel Voss

O estudo é bastante interessante, pois ele aumenta o conhecimento dos cientistas sobre o hipocampo, compreendendo-o como uma peça fundamental na rede de memória, que está espalhada por todo o cérebro, diz Alvaro Pascual-Leone, neurologista da Harvard Medical School, em Boston. Outro fator importante para o desenvolvimento é que, pela primeira vez, foi mostrado que através da estimulação da superfície do crânio, pode-se alcançar estruturas cerebrais profundas (como o hipocampo) e aumentar a comunicação e sincronia em toda a rede e, claro, melhorar o desempenho da pessoa em um teste de memória.

Se a TMS um dia vai ser uma cura para os déficits de memória é “uma pergunta razoável, mas ainda não respondida”, diz Pascual-Leone. Os cientistas vão precisar realizar muitos estudos em pessoas com doenças, como o mal de Alzheimer, para determinar se a estimulação é eficaz para eles, a doença pode fazer tanto dano que a estimulação não funcionaria ou até mesmo poderia ter efeitos deletérios.

O fato de que os resultados da estimulação magnética transcraniana utilizada no estudo serem promissores em redes de memórias faz Voss otimista de que a tecnologia poderia diminuir a perda de memória. Nos próximos estudos, Voss e seus colegas vão analisar os efeitos das estimulações eletromagnéticas em pessoas com perda de memória em estágio inicial.

Estudos como este levantam a questão ética de saber se é uma boa ideia usar a tecnologia em pessoas saudáveis ​​para alterar um cérebro considerado “normal”. Por um lado, não está claro quanto tempo essa recarregada para melhorar duraria, ou se mudança para o cérebro poderia ser permanente. E, embora a perspectiva de valorização da memória possa ser atraente para aqueles de nós que estão sempre acostumamos a perder as chaves, é possível que o aumento da função em uma habilidade cognitiva diminua uma outra função, segundo o pesquisador Pascual-Leone: “O cérebro pode ser um jogo de ‘soma zero’ nesse sentido”.

Fonte: SM.

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