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O pesquisador da Sony que quer tornar Neuromancer real

Conheça Jun Rekimoto, pesquisador da Sony que trabalha para que a realidade aumentada permita as pessoas verem e sentirem o que outras experimentam

29/09/2014 às 15:01

neuromancer

Imagine um mundo em que você pode ver, ouvir e até sentir as mesmas experiências de outra pessoa, diretamente. Como se você estivesse lá tocando, interagindo. Dentro da mente de outra pessoa, como um mero espectador mas experimentando as mesmas sensações. Se soa Neuromancer demais para você, saiba que Jun Rekimoto pensa da mesma forma. Tanto que o pesquisador da Sony está trabalhando para tornar o mundo das obras de William Gibson real.

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Rekimoto é Ph.D em Ciência da Informação pelo Tokyo Institute of Technology (também conhecida como Tokyo Tech ou Tokodai), a maior instituição japonesa dedicada ao ensino de ciência e tecnologia. Em um simpósio realizado na última semana no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, o pesquisador demonstrou alguns de seus trabalhos na área de Realidade Aumentada, e naõ escondeu o fascínio que tem pela obra de Gibson. Tanto que fez do trabalho de sua vida tornar possível uma pessoa sentir o que outra está experimentando. Durante entrevista, Rekimoto disse que busca "expandir o conceito de que nós podemos nos conectar imersivamente a outros humanos ou drones".

Enquanto empresas como a Oculus, a Samsung e a própria Sony, entre outras trabalham em seus dispositivos de realidade virtual, o trabalho do pesquisador vai além. Ele não está diretamente ligado com o Project Morpheus, o ditop dispositivo de RV para os consoles da empresa japonesa, seu trabalho é bem mais avant-garde:

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Este é o LiveSphere, um headset com seis câmeras montadas ao longo do suporte, que permitem ângulo de visão de 360º. Segundo Rekimoto, um usuário remoto com acesso às câmeras pode passar instruções via áudio ao portador do headset, permitindo auxílio em situações desde cozinhar a procedimentos médicos. Um jogador poderia utilizar um dispositivo desses e fornecer ao espectador uma visão única da partida. E mais: dispositivos tácteis como atuadores ligados ao LiveSphere e instalados nos dedos poderiam transmitir sensações de tato.

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Outro projeto visa introduzir a visão do usuário em drones. O chamado Flying Head permitiria um uso mais apurado dos robozinhos em situações críticas, já que o operador não veria a situação por uma tela, mas através de um visor de RV; mais imersão, logo mais precisão, principalmente em enviar drones a áreas de desastres onde o homem não pode entrar.

Claro, ainda é tudo muito preliminar mas Rekimoto espera estar dando os primeiros passos do que ele chama de "o nascimento de uma grande indústria" onde as habilidades e sensações de um humano possam ser compartilhadas (vendidas, seria o mais correto) com outros. Soa assustador até pelo que poderia dar errado, mas é fascinante imaginar um futuro onde poderíamos ver um jogo de futebol não de casa, não da arquibancada, mas pelo olhos do jogador, sentindo tudo o que ele sente. Pode demorar (e vai), mas o dr. Rekimoto acredita estar no caminho certo.

Fotne: C.

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