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Da série “não dê ideia”: bomba de Ebola

Seria possível transformar o Ebola em uma arma biológica?

26/09/2014 às 8:00

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Não dá ideia, não dá ideia… maluco.

Tudo bem meus lindos, estamos em terreno perigoso aqui, portanto se você é um terrorista em potencial, pare agora e se entregue às autoridades. Se você é só um maluco beleza e quer se divertir especulando coisas potencialmente perigosas e gosta de explodir coisas, procure o André. Se você é um cara saudável e do bem (o Ebola é sabidamente do mal segundo o Átila), senta que lá vem história. Então, a propagação exponencial do Ebola já havia despertado temores por parte das autoridades de segurança do mundo todo (principalmente as norte-americanas) de que ele poderia ser transformado em algum tipo de mega-arma biológica de destruição em massa. Entretanto, o custo financeiro e lógico envolvido em capturar e transformar um vírus potencialmente mortífero em uma arma de bioterrorismo são absurdamente grandes, pelo menos se pensarmos na escala de bem… destruição em massa. Não estamos falando aqui de um maluco soltando um macaco contaminado em Wall Street, mas de refinar e produzir uma arma de verdade.

Especialistas em segurança e em infecções são unânimes em dizer que os obstáculos para produzir alguma coisa com o Ebola em larga escala são formidáveis. Para começar, o bioterrorista teria que obter amostras do vírus e ser capaz de cultivá-lo em grande escala (sem morrer), uma atividade extremamente cara. Como se trata de um vírus facilmente transmissível através de contato com fluidos corporais de qualquer tipo, seria muito difícil controlá-lo e manipulá-lo nesta escala. Em termos simples, uma grande quantidade de vírus Ebola nas mãos de um grupo não muito esperto de pessoas muito provavelmente terminaria com todas elas mortas ao invés de um grupo terrorista com uma arma mortal nas mãos. Para isso ser possível, seria preciso um tipo mais específico de terrorista, com conexões e recursos muito mais amplos.

Historicamente, existe um precedente bem legal (delirantemente falando) no uso de vírus como armas. Durante a Guerra Fria, a URSS produziu imensas quantidades de micróbios para uso potencial como armas, incluindo varíola, antraz, tularemia, botulismo e febres hemorrágicas, incluindo o Ebola. Os soviéticos eventualmente abandonaram o projeto (por que será?). O grupo terrorista japonês Aum Shinrikyo, famoso por liberar gás sarin no metrô de Tóquio em 1995 também já andou tentando usar o Ebola como arma biológica. Em 1992, eles enviaram um grupo de pessoas, alegadamente ligados a área médica, ao Congo para ajudar a controlar uma epidemia do vírus por lá. Na realidade, eles queriam coletar o Ebola, mas acabaram falhando miseravelmente. Mesmo se o grupo japonês tivesse conseguido as amostras que queriam, seria extremamente difícil matar muita gente em países onde existe uma boa infra-estrutura de saúde como o Japão. Assim que o vírus fosse identificado e os pacientes isolados, o problema estaria controlado e com os dias contados.

Mesmo assim, estamos falando de bioterrorismo, então estamos falando não só da parte bio, mas principalmente da parte terrorismo. Mesmo não causando muitas mortes, o terror com certeza seria instalado. Quem não lembra da zorra que virou os Estados Unidos quando surgiram os primeiros casos de Anthrax em 2001? Então, de volta ao Ebola. Os especialistas consultados pela Scientific American acreditam que seria possível usar o Ebola para um ataque de pequena escala de três maneiras diferentes, todas com seus próprios problemas de logística, custo financeiro e barreiras biológicas.

Primeiro, o Ebola poderia ser colocado em alguma espécie de bomba explosiva (talvez usando ar comprimido), que quando detonado espalharia o vírus pelas redondezas, infectando pessoas nas proximidades que entrassem em contato com o vírus. O Ebola não precisaria ser alterado ou manipulado de qualquer jeito para isso, o vírus já tem uma taxa de contaminação tão alta que o simples espalhamento pelo vento e o contato entre pessoas já seria capaz de fazer um bom estrago na população local.

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Ebola não é brinquedo não.

Segundo, e talvez o mais fácil, homens-bomba biológicos. Por mais louco que isso possa soar, pessoas poderiam se expor intencionalmente ao Ebola e depois viajar para as áreas a serem atingidas antes de começar a apresentar sintomas. Depois disso, a pessoa poderia fazer muita coisa nojenta para espalhar o vírus, como espalhar seu próprio vômito, sangue, fezes e o que mais você imaginar de fluídos humanos pelo ambiente, ou diretamente em outras pessoas. Talvez o mais difícil para implementar esse plano idio… digo, maluco, além de achar gente disposta a isso, seria o infectado lutar contra a fraqueza extrema que acomete os infectados. De qualquer jeito, se esse tipo de ataque tivesse sucesso, ele não mataria muita gente, mas o terror estaria implacavelmente instalado e o medo faria um estrago ainda maior.

O terceiro método provavelmente é o mais improvável: modificar geneticamente o vírus para que ele se espalhe ainda mais rápida e diretamente, talvez dando-lhe a capacidade de ser transmitido pelo ar (coisa de cientista louco). Isso por si só seria um desafio muito grande, cientificamente falando.

Então, chegamos ao fim da nossa história de terror de hoje. Agora vá lavar as mãos.

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