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Viva rápido, morra jovem em termos astronômicos

Astrofísicos esperam descobrir como estrelas massivas evoluíram e eventualmente semearam o universo com elementos pesados.

16/09/2014 às 8:00

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Pesquisadores querem saber como estrelas massivas, como a Eta Carina desta foto, evoluíram e eventualmente semearam o universo com elementos pesados.

No início, tudo o que existia era hidrogênio — e hélio e uma pitada de lítio. Três elementos em tudo (e pare de me lembrar dos isótopos e dos íons e me deixem ser poético). Entretanto, hoje o universo tem mais de cem elementos naturais, milhares de isótopos e provavelmente ainda mais a serem descobertos.

Tentar descobrir como o Universo saiu daqueles três elementos para a miríade surubástica diversificada que temos hoje é o foco da pesquisa do novo Centro de Fronteiras da Física da Universidade do Arizona, que acaba de garantir um financiamento de 11,4 milhões de Obamas. Pense em quanta gente poderia comer com esse dinheiro, tsc…

Então, vamos do início. Da última vez que me falaram, o tempo começou aos 13,7 bilhões de anos do segundo tempo, depois de Deus ter estalado os dedos (em algumas versões foram puns, mas vamos manter a compostura…). Então, depois do Big Estalo de Dedos que produziu esses três elementos (pare de grunhir isótopos, por favor), passou-se o intervalo para a prorrogação, cerca de 1 bilhão de anos e quando os jogadores voltaram ao campo, em vez de 3 eram centenas.

Como isso aconteceu?

Isso aconteceu dentro das estrelas, elas são as fábricas de elementos do Universo. Elas pegam essas paradinhas maneiras cheias de luz, tipo hidrogênio e hélio, acrescentam coisa pouca de pressão, temperatura e fundem tudo em fornalhas nucleares para cuspir carbono, nitrogênio, oxigênio e todas aquelas coisas maravilhosas que foram usadas pra fazer Adão e Eva.

O quadro geral é mais ou menos esse, com exceção dos dois jovens ali que nós sabemos que só apareceram 6 mil anos atrás. O problema são os detalhes de todo esse processo e é isso que a pesquisa que vai deixar de alimentar vários africanos famintos tentará vislumbrar.

Apesar de as estrelas fundamentais serem muito diferentes das Estrelas que existem hoje pois começaram com um conjuntos de ingredientes muito diferente (não existiam elementos pesados) e já não existirem mais, é possível ter vislumbres do que elas foram, pois quando explodiram, liberaram pequenos fragmentos de carbono, oxigênio e nitrogênio que acabaram dando origem a estrelas da geração seguinte.

Esse processo continua até os dias de hoje, com estrelas massivas criando mais e mais elementos complexos e então explodindo como supernovas, espalhando esses novos elementos pelo espaço para que novas gerações de estrelas os usem. A cada nova geração de estrelas, elas se tornam mais e mais ricas em elementos complexos e pesados.

O Sol, a Terra e nossa Lua foram formados cerca de 4,5 bilhões de anos atrás (não, não foram 6 mil, eu estava brincando). Muitos dos elementos que eles contém não existiam quando o universo era jovem. Então, a qual geração o sol pertence? Bom, uma estrela massiva tem uma vida média de um milhão de anos (live fast, die young em termos astronômicos). Como o Grande Jogo de Futebol aconteceu uns 7 bilhões de anos antes do sol ser formado, foram precisos 10 mil gerações de estrelas para chegarmos aqui.

Somos o produto de muitas, muitas, muitas gerações de preciosas estrelas. Somos pó de estrelas.

O que os pesquisadores vão fazer ao invés de alimentar os pobres do mundo é construir modelos computacionais para estrelas de todos os tamanhos, massas e composições químicas e depois executar esses modelos para comparar sua evolução com as observações astronômicas que farão. Chama ciência. E vocês sabem o que dizem sobre a Ciência…

Fonte: SD.

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