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Uma prova inequívoca de que a impressão 3D faz sentido

Impressão 3D permite simular complicada cirurgia no cérebro de uma criança, evitando complicações.

05/09/2014 às 8:00

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Um dos simuladores responsáveis pelo mapeamento da área a ser impressa.

Você pode usar a tecnologia de impressão 3D para fazer um bonequinho MUITO caro de si mesmo, ou usar a tecnologia onde ela realmente faz sentido. Aplicações médicas são algumas das mais divertidas e uma das áreas onde o potencial e escala formam um conjunto vencedor.

Depois daquela fantástica notícia de semana passada onde um garoto teve uma vértebra substituída por um modelo impresso usando a tecnologia, o The Verge divulgou esse vídeo, mostrando uma aplicação inacreditavelmente linda. A história tem todas as nuances de drama familiar, mas com a ajuda de ciência de ponta e tecnologia, se encaminha para um desfecho feliz.

O caso do pequeno Gabriel começou a se complicar quando sua mãe, Erin Mandeville, percebeu que ele virava os olhos para trás seguidamente. Ela logo descobriu que na verdade eram ataques epiléticos, que logo ficaram mais agressivos.

Ataques epiléticos em bebês são muito graves e podem levar a muitas complicações, pois é nessa fase do desenvolvimento humano que muitas das conexões são feitas e desenvolvidas no cérebro. Os médicos do Hospital Infantil de Boston tentaram todo tipo de remédio e tratamento convencional que puderam lançar mão, mas o problema persistia e se agravava a cada dia.

Nessa altura, a equipe médica que cuidava do caso sugeriu uma hemisferectomia, uma complicada operação em que os hemisférios do cérebro são desconectados, isolando a parte problemática que causava os ataques epiléticos. A mãe, muito conscienciosa, optou por acreditar que bons médicos e boa medicina podia fazer mais pelo filho do que homeopatia e cristais e autorizou o procedimento.

A decisão de Erin Mandeville foi um pouco mais fácil, claro, quando ela soube que o cérebro do pequeno Gabriel seria o primeiro a ser inteiramente replicado em 3D para que os médicos pudessem praticar antes de efetuarem o procedimento de fato.

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O Dr. Weinstock, líder do projeto, demonstra o uso do equipamento de mapeamento.

No vídeo, o Dr. Joseph Madsen explica que a hemisferectomia é um dos procedimentos mais complicados até mesmo para cirurgiões experientes. E enquanto segura nas mãos uma cópia impressa do pequeno cérebro, diz só o fato de poderem manipular livremente aquele modelo, já tira da jogada uma quantidade absurda de complicações que poderiam acontecer. Outros benefícios, é claro, incluem o fato de que os novos médicos podem praticar (e errar) à vontade em modelos como esse. Não sei vocês, mas eu não gostaria de ser o primeiro paciente de um cirurgião cerebral.

O modelo 3D do cérebro de Gabriel foi desenvolvido usando as ferramentas desenvolvidas por um programa especial do hospital chamado de Simulator Program (quanta criatividade). Ele foi impresso usando plástico leve com uma precisão de 16 mícrons por camada, o que permitiu que até mesmo vasos sanguíneos fossem impressos usando cores diferentes para uma melhor visualização.

Com os pais angustiados, mas confiantes, a cirurgia de Gabriel foi executada e levou em torno de 10 horas para ser concluída, do que normalmente seria algo muito mais demorado.

Apesar de simulações cirúrgicas não serem novidade, a impressão 3D está levando a sua utilização a novos níveis de facilidade e custo, tornando sua utilização mais frequente. Com apenas um ano de projeto, eles já desenvolveram algo em torno de cem impressões, dos quais vinte por cento resultaram em cirurgias de fato.

O líder do projeto, Dr. Weinstock acredita que a tecnologia vai ficar ainda mais barata e acessível nos próximos anos e ela poderá ser usada para cuidar ainda melhor das crianças, além de aplicações que nem sequer imaginamos hoje.

O final feliz? Gabriel, hoje com 18 meses, está livre dos ataques epiléticos e segundo a mãe, acorda todos os dias sorrindo. Mais uma vida salva pela ciência, toma essa pirâmides!

Fonte: TV.

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