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O desafio de transformar armas químicas em lixo comum

Em setembro de 2013 a Síria concordou em destruir as suas armas químicas. Com isso, uma questão muito delicada sobre esse lixo tóxico foi levantada: como destruir uma arma de destruição em massa?

03/09/2014 às 17:38

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A unidade de tratamento “portátil” de armas químicas.

Em setembro de 2013 a Síria concordou em destruir as suas armas químicas. Com isso, uma questão muito delicada foi levantada: como destruir uma arma de destruição em massa?

A resposta, desenvolvida pelo Departamento de Defesa Americano, foi uma unidade que eles chamaram de “Field Deployable Hydrolysis System”, algo como um sistema de hidrólise para ser usado em campo.

O sistema é uma fábrica em miniatura, com capacidade para neutralizar material letal, que é montado dentro de contêineres que podem ser levados a qualquer lugar, como mostrado na reportagem da Wired. Dois destes laboratórios foram levados para o Mediterrâneo em um navio mercante, onde estão transformando 600 toneladas de coquetéis assassinos em lixo, usando calor e reações químicas.

Veja como o sistema funciona:

1 — Tanque de Mistura: é onde os reagentes são preparados. Cada toxina requer um tipo diferente, mas para o gás mostarda por exemplo, tudo que é necessário é H2O aquecido. Este tanque, com capacidade para cerca de 10 mil litros aquece a água a 90 graus Célsius.

2 — Tanque de Armazenamento: as armas químicas ficam aqui. A medida que a água aquecida entra no sistema, 1.200 litros de gás mostarda são misturados a ela.

3 — Tubulação: o sistema com tubos de titânio revestido com plástico de alta resistência recebe a mistura de água e gás mostarda, fazendo a mistura circular por cerca de 3 horas até que eles se dividem em uma sopa ácida de Tiodiglicol e Ácido Clorídrico.

4 — Depósitos de lixo: o resultado final é em torno de cinco a quatorze vezes o volume que entrou no sistema. Você provavelmente não vai querer beber isso, mas ele já não é mais uma arma letal e pode ser tratado e eliminado em instalações especiais na Alemanha e na Finlândia.

Em meio a tantos desentendimentos, guerras, mortes sem sentido e violência entre as nações, dá um pequeno alento saber que algumas coisas podem ser lentamente mudadas, transformadas e tiradas do nosso convívio com a ajuda da ciência, mais especificamente da Química (Yeah, Science!).

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