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Campus Party Recife: Sean Carasso acredita que as redes sociais podem mudar o mundo

É possível usar as redes sociais para promover mudanças reais no mundo em que vivemos, e ajudar a resolver ou acabar com guerras e conflitos? Sean Carasso do Falling Whistle acredita que sim. Confira como foi sua palestra na Campus Party Recife.

25/07/2014 às 15:00

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Sean Carasso, fundador do Falling Whistle, esteve no palco principal da Campus Party Recife para mostrar como podemos usar as redes sociais para tentar resolver ou pelo menos amenizar problemas muito sérios. Ao visitar a República Democrática do Congo, ele conheceu os horrores da guerra civil, que já dura mais de 20 anos e tem mais de 6 milhões de vítimas. A guerra é motivada pela disputa pelas imensas riquezas minerais do país, que também tem uma das populações mais pobres do mundo.

Enquanto Carasso viajava pelo país, encontrou um acampamento militar que torturava crianças, que eram tratadas como criminosos de guerra, e conheceu a história de garotos que eram enviados para o front da guerra armados apenas com um apito, que deviam usar durante a noite para assustar as tropas inimigas. Ele achava que precisava fazer algo para mudar aquela história, e como não sabia o que fazer, começou escrevendo um blog, o Falling Whistles, enquanto viajava pelo país e conhecia vários grupos rebeldes, tentando entender quem financiava e como seria possível interromper o ciclo de violência. Ao voltar para os Estados Unidos, continuo tentando conscientizar as pessoas, até que recebeu um apito de um amigo que disse para ele: “onde quer que você vá, mantenha estas crianças vivas dentro do seu coração.”

O apito passou a ser o símbolo para chamar a atenção do mundo para a guerra do Congo, e passou a ser vendido para levantar recursos para a criação da organização Falling Whistles. No mesmo ano, o Twitter foi lançado, o que permitiu que ele organizasse uma comunidade ao redor do seu objetivo. A Falling Whistles trabalha em várias frentes, apoiando ativistas que retiram pessoas ameaçadas de morte do país, usando recursos locais para lutar contra a malária, e na criação de estações de rádio no país, assim pela primeira vez em 100 anos, a população do Congo podia conversar entre si sobre os problemas gravíssimos.

O projeto se tornou uma coalisão global que tem sedes em várias partes do mundo apoiando advogados e ativistas para realizarem mudanças no país. Em 2011, a Falling Whistle organizou uma petição online que teve mais de 24 mil assinaturas, e teve o apoio de 35 deputados e 16 senadores dos Estados Unidos, que enviaram emissários especiais para cobrar mudanças no Congo. Durante o processo, a organização também apoiou a eleição democrática do Congo, e usando mensagens de SMS e as rádios, permitiu que a população monitorasse em tempo real o resultado.

A Falling Whistle também pressionou empresas para que passassem a importar minerais vindos de regiões sem conflito, passando a gerar empregos ao invés de patrocinar a violência. Na CES deste ano, a Intel anunciou que todos os seus processadores passariam a ser produzidos com materiais sem conflito, mas nem todas as empresas que importam estes minerais tomaram a mesma atitude.

Em 2012, o grupo rebelde M23 invadiu Goma, uma cidade no leste da República Democrática do Congo onde vários ativistas, advogados e colaboradores do Falling Whistle trabalhavam. A organização então criou o site Stop M23 para tentar conscientizar a ONU sobre o problema, e mais de 30 mil tweets diretamente para a embaixadora da ONU. No começo do ano passado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou sanções contra o grupo rebelde.

O foco da Falling Whistle hoje é resolver as questões econômicas por trás da guerra, criando empregos e gerando produtos para a exportação livres do conflito, e permitindo que a população do Congo passando viva com dignidade, sem fazer parte da escalada da violência no país. Carasso conta que “acredita na educação e no poder de um emprego como agentes de mudanças. Sei que existem conflitos e violência de todos os tipos, em qualquer lugar, e por isto viajo pelo mundo para compartilhar sua história e sua experiência, e assim inspirar novos ativistas.”

Sean Carasso acredita que usando ferramentas simples, é possível mudar o mundo:

Isso não seria possível 10 ou 5 anos atrás, é algo que só tornou viável com a tecnologia das redes sociais. A cada ano, mais pessoas se conectam e passam a exigir um mundo mais pacífico de seus governantes. Tivemos mais progresso nas disputas do Congo nos últimos 4 anos do que nos últimos 100 anos. Ao acabar com esta guerra, vamos mostrar para o mundo que podemos resolver problemas que a útima geração acreditava ser impossível antes”.

Saiba mais sobre a Falling Whistle.

Clique abaixo para ver a palestra de Sean Carasso na Campus Party Recife.

CPRE3 - Sean Carasso

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