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Vaya con Dios: Sony vai enfim retirar PSP do mercado japonês

The end is near: depois de retirar o PSP do mercado norte-americano, Sony deixará de vendê-lo neste mês no Japão; Europa o manterá até o fim de 2014

03/06/2014 às 16:00

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Foi uma longa jornada até aqui. Prestes a completar dez anos de estrada, um feito e tanto para um console de videogame, a Sony anuncia que o PSP finalmente chegou ao fim da linha. Ele já havia sido retirado do mercado norte-americano no início de 2014, mas agora o último prego em seu caixão foi martelado: o console deixará de ser vendido no Japão neste mês, enquanto que na Europa ele só será mantido até o fim do ano, talvez para permitir que ele complete uma década: seu aniversário será no dia 12 de dezembro.

Por enquanto, não há informes de quando ele deixará de ser comercializado em outros países da Ásia, bem como no Brasil e América Latina. Mas como ele já tem data para sair de cena nos três grandes circuitos, é seguro afirmar que o PSP finalmente chegou ao fim de sua viagem.

Desde quando ele deu as caras na E3 de 2004, a Sony deixou claro que via o PlayStation Portable como "o Walkman do século XXI": ele foi desenvolvido como um dispositivo de entretenimento completo, reunindo games, execução de música e filmes no seu bolso. O único problema é que ele nasceu numa época em que mídia digital era um sonho distante, a internet ainda era movida a vapor. Isso fez com que a empresa apresentasse uma mídia exclusiva: o chamado UMD (Universal Media Disc), um disquinho com 1,8 GB de capacidade que poderia ser utilizado tanto para armazenar games quanto filmes. No auge de seu lançamento, a Sony propagandeava a possibilidade de assistir os dois primeiros filmes do Homem-Aranha (propriedade da Sony Pictures... por enquanto) em qualquer lugar.

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Em 2004-2005, numa época em que o iPod já estava consolidado como o player de áudio mais vendido do mundo e dois anos antes do lançamento do iPhone (e muito antes ainda de alguém considerar um smartphone uma plataforma decente para games), a proposta do PSP era sim interessante. Só que ele tinha alguns problemas: ele era grande e desengonçado para ser utilizado como um player de música, e muita gente reclamava do direcional analógico do console portátil na hora de jogar. Ainda assim o console teve um suporte considerável de softhouses, que só não foi maior devido dois fatores: Nintendo DS e a pirataria.

O lançamento do DS no Japão foi simultâneo ao do PSP, e a novidade de um console com duas telas, sendo uma de toque eclipsou severamente as vendas do PSP. Mesmo no início da disputa dos portáteis, já estava evidente que mais uma vez a Nintendo manteria o posto de líder em portáteis, título este que ela NUNCA perdeu: ela criou o mercado com o Game Boy (graças ao gênio Gunpei Yokoi) e o capitaneia desde então.

Já a pirataria prejudicou a percepção do console como um todo. Quebrar a proteção dos games recém-lançados do console era tão fácil quanto fazer macarrão instantâneo. Ao longo dos anos os desenvolvedores tentaram de tudo, até mesmo criar um game com dois discos onde um era apenas o de instalação: aconteceu com um certo Dating Sim japonês em 2012. No fim das contas, bastavam algumas horinhas e qualquer ISO dos títulos do PSP eram facilmente encontradas nas internets.

Ainda assim, mais do que simplesmente ser facilmente destravável, o PSP se tornou nas mãos dos hackers uma poderosa máquina de emulação. Do Atari ao SNES, passando até mesmo pelo NeoGeo e placas de arcade como o famoso emulador M.A.M.E., dava para rodar praticamente qualquer jogo conhecido da face da Terra no portátil da Sony. As vendas do portátil não eram ruins (claro, foram péssimas se comparadas ao DS), mas como ele vendia para ser usado de forma diferente do planejado, os desenvolvedores não se sentiam estimulados o suficiente para lançar games na plataforma. Isso e a dificuldade de lidar com o SDK do PSP, que diziam ser tão complexo quanto o do PS3.

Como se não bastasse, o fato de tentar adaptar emuladores para o PSP permitiu à comunidade desenvolver os mais diversos homebrews para o portátil:

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Ainda assim, o console teve games memoráveis. Há de se destacar o apoio principalmente da Konami e da Square-Enix, já que ambas lançaram títulos excelentes para o PSP. A Square tem em seu portfólio os dois games da série Dissidia: Final Fantasy, o spin-off Crisis Core: FFVII e o canto do cisne do console portátil Final Fantasy Type-0, e um grupo já prometeu liberar em breve sua tradução tão esperada. Já a Konami trouxe simplesmente aquele que é considerado o melhor game do PSP, Metal Gear Solid: Peace Walker.

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O console também viu criações originais de sucesso, como foi o caso da franquia Patapon, que por um tempo foi uma verdadeira coqueluche no Japão e que conquistou muitos fãs no ocidente. Não podemos nos esquecer da franquia que nasceu no PS2 mas que brilhou no portátil: Monster Hunter.

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Desde a primeira versão de bolso Monter Hunter Freedom até hoje, a série da Capcom conseguiu ao menos no Japão a proeza de conquistar até mesmo quem possui aversão a videogames: muita gente comprou um PSP (ou posteriormente um 3DS, e um versão para Vita vem aí) e um game da série apenas para jogar nos intervalos disponíveis. Muitos empregados de escritórios têm na "hora do Monster Hunter" durante o intervalo de almoço um momento sagrado, algo inimaginável até então: essas pessoas não jogam videogames, jogam Monster Hunter. E o PSP ajudou a popularizar massivamente a série.

Se eu for indicar alguns games do PSP que você deve jogar antes de morrer, esses seriam Metal Gear Solid: Peace Walker, Crisis Core: Final Fantasy VII, The 3rd Birthday (terceiro capítulo da série Parasite Eve), Castlevania: Dracula X Chronicles, Mega Man X Maverick Hunter, Monster Hunter Freedom Unite, God of War: Ghost of Sparta, Valkyrie Profile: Lenneth, Patapon 3 e Dissidia 012 Final Fantasy.

De minha parte, só posso agradecer pelos serviços prestados e ótimos games oferecidos. Vá em paz, PSP. Nós que aqui ficamos o saudamos.

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