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Suécia quer salvar o mundo com barcos elétricos — e faz sentido

Que tal salvar o mundo misturando água e eletricidade? Estão fazendo isso na Suécia, onde um barco usado em transporte público será adaptado para usar motores elétricos. Pior, faz sentido, é viável, ambientalmente benéfico E baixará os custos em 30%. Claro, não foi idéia de ecochato, mas sim de um engenheiro naval.

03/05/2014 às 19:46

movitz

O bom-senso diz que água e eletricidade não se misturam, e o último lugar que você gostaria de encher de bateria é uma lata cercada de água, mas um submarino é essencialmente isso. Durante boa parte da 2ª Guerra os Aliados tremiam diante do silêncio dos U-Boats, caçando em matilhas, submersos usando seus motores elétricos, complicados de detectar hoje e impossíveis de localizar com os sonares passivos (ui!) de antigamente.

A parte ruim é que os barcos alemães usavam celulares Android como fonte de energia, então em algumas horas estavam descarregados. Precisavam emergir para acionar os motores diesel e recarregar as baterias. Isso durou até a invenção do Snorkel, um conjunto de tubos que sugava ar na frente e expelia na traseira, permitindo que o submarino permanecesse submerso com os motores ligados.

Quando sofriam avarias algo preocupante acontecia: o compartimento de baterias era inundado, gerando curto-circuito e uma reação chamada Eletrólise, que enchia o barco de oxigênio, o que é bom, e hidrogênio, o que não é tão bom. Também são formados arsênico gasoso e cloro, pra você escolher se quer morrer explodido ou com os pulmões corroídos.

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Bateria de um U-Boat Tipo IX-C, 11.300 Ah. Cada barco tinha 124 dessas. Mais ou menos umas duas cargas de iPad 4. 😉

Mesmo assim as vantagens superam os problemas, e o know-how para lidar com baterias navais tem literalmente séculos.

Know-how esse colocado em uso na Suécia, onde um teste está sendo feito com o Movitz, um barquinho usado para transporte entre Solna e a Cidade Velha, em Estocolmo. O trajeto tem 8 km mais ou menos. Até hoje o Movitz era movitzdo a diesel, com um motor de 335 Harry Potters. Só que diesel naval é um lixo. Esses motores são mal-regulados, poluem feito uma desgraça e são barulhentos.

Isso vai mudar. Em agosto o Movitz sairá do estaleiro com dois motores elétricos de 125 kW, baterias pra 1 h de autonomia a 9 nós (16,6 km/h) e tempo de recarga de dez minutos. O tempo certinho pra descarregarem passageiros e carga, cuidarem da burocracia e embarcarem os passageiros na perna de volta.

Melhor ainda: como a maior parte da energia na Suécia é nuclear e hidroelétrica, não estão queimando bebês-focas pra gerar eletricidade e carregar o barco.

Talvez o argumento principal: os custos operacionais do Movitz vão baixar em 30%.

Ou seja: há soluções energeticamente responsáveis que beneficiam o meio-ambiente, os usuários E os malvados capitalistas donos das empresas, a diferença é que aqui não é uma idéia besta de um estudante de design, como essa imbecilidade aqui. A empresa responsável, Echandia Marine foi fundada por um sujeito com décadas de experiência como engenheiro naval especializado em submarinos, que atende pelo nome de supervilão de Magnus Eriksson.

Fonte: W.

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