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China acaba com ban de consoles, mas censura segue firme e forte

Ainda que proibição da venda de consoles tenha acabado, governo da China vai censurar quaisquer games que violem extensa lista de conteúdos indesejáveis

23/04/2014 às 16:00

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Que a China é um país bipolar todo mundo já está careca de saber. Apesar de seu uma das economias que mais cresce no mundo a rigor é uma nação socialista, que abomina o consumismo mas se alimenta e lucra com ele. Se analisarmos a fundo o fato do país ser o grande pólo produtor de tecnologia do mundo não faz o menor sentido se sua própria população não pode consumir o que fabrica. A Apple levou muito tempo para conseguir vender os iPhones que a Foxconn produz lá.

Quando analisamos o mercado de games então as coisas ficam ainda mais bizarras: desde 2000 o governo chinês possuía um banimento formal do consumo de consoles de videogame no país, como forma de "proteger a juventude e evitar que eles desperdicem suas vidas". Por outro lado Sony, Microsoft e Nintendo fabricam seus consoles no país. Somente agora Pequim suspendeu totalmente o ban, mediante transferência das empresas para o pólo industrial de Xangai. Entretanto o governo não afrouxou a coleira tanto assim, pois sem nenhuma surpresa os games terão que ser avaliados pelos censores antes de serem vendidos.

A medida é simples: para vender seus videogames na China as empresas precisavam em primeiro lugar terceirizar a produção e venda através de empresas "com investimento financeiro" instaladas na área de livre comércio de Xangai, o que não é muito diferente do praticado até então. Entretanto, a lista de conteúdos considerados impróprios pelo governo chinês é bem grande e se levada ao pé da letra, muito s títulos famosos não poderão ser legalmente comercializados. Segue a lista de conteúdos considerados impróprios pelo Grande Governo Democrático da China:

  • conteúdos relacionados a jogos de azar;
  • qualquer conteúdo de inclua violência, obscenidade, uso de drogas e apostas;
  • qualquer conteúdo que viole a constituição chinesa;
  • qualquer conteúdo que ameace a unidade, soberania e integridade territorial da China;
  • qualquer conteúdo que ameace a reputação, segurança ou interesses da nação;
  • qualquer conteúdo que instigue ódio racial ou étnico, ou ameace tradições e culturas étnicas;
  • qualquer conteúdo que viole a política da China sobre cultos e manifestações religiosas;
  • qualquer conteúdo que ameace a ética, cultura e tradições da China;
  • qualquer conteúdo que insulte, difame ou viole os direitos de outrem;
  • quaisquer outros conteúdos que violem a Lei.

A lista é bem extensa e logo de cara percebemos que títulos populares como Call of Duty, GTA e Battlefield possuem chances zero de serem comercializados pelas formas legais na China, por caírem em um ou vários dos quesitos levantados. Jogos mais étnicos, com referências à religiões ou mitologias como Xenosaga e Final Fantasy, passando por Assassin's Creed também ficam de fora. Games tendo como pano de fundo o Japão, nação inimiga desde sempre? Nem pensar. Mesmo games como Homefront, que pinta a Melhor Coreia e seu Grande Líder Kim Jong-un como vilões também não passariam, tendo o alinhamento político como fator determinante.

A bem da verdade pouca coisa vai mudar. Se a censura for muito apertada o mercado informal prosseguirá normalmente, além do fato de que a grande maioria dos gamers do país jogam em PCs, e não em consoles. Em todo caso, se os estúdios quiserem mesmo que seus jogos sejam vendidos na China eles terão que aprender a lidar com essas restrições, ou do contrário a censura sentará o carimbo do "não pode" sem perdão.

Fonte: CVG.

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