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Nova superbactéria é identificada no Brasil

Nova cepa da superbactéria MRSA resistente ao antibiótico vancomicina é identificada em paciente brasileiro: variante espalha-se fora do ambiente hospitalar.

18/04/2014 às 14:00

staphylococcus-aureus

Se você ouviu o #SciCast sobre Superbactérias (Parte 1, Parte 2) e ficou com a pulga atrás da orelha com a possibilidade de sermos exterminados por micro-organismos que o que têm de pequenos têm de resistentes e mortais, você não vai gostar dessa novidade: um time de pesquisadores da Universidade do Texas identificou uma nova cepa da Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA, ou SARM por aqui) que desenvolveu resistência à vancomicina em um paciente fatal no Brasil. E pior, essa cepa não é restrita à hospitais.

A vítima em questão era um homem de 35 anos que ficou internado por um longo período de tempo, e estava infectado com um cepa da MRSA comumente encontrada fora do ambiente hospitalar. O grande problema é que as bactérias presentes no paciente desenvolveram resistência à vancomicina, que é um dos antibióticos mais comuns e baratos utilizados para tratar desse tipo de infecção. A pesquisa constatou que a cepa original é disseminada largamente entre a população, e é uma das causas de infecções de pele e mucosas comuns em pacientes de todas as idades. Em alguns casos a infecção por esse tipo de MRSA pode ser fatal, mas até então ela respondia bem à vancomicina. O doutor Cesar Arias, líder da equipe de pesquisa disse que essa nova mutação "é diferente de tudo que já vimos, e esse clone em específico está causando infecções na comunidade e não nos hospitais".

Como essa variante é normalmente transmitida pelo contato com a pele, ela pode infectar não só pessoas debilitadas como sadias, e ela pode se infiltrar na corrente sanguínea e causar problemas sérios. A preocupação da comunidade médica é que caso a vancomicina se torne inútil, o tratamento das superbactérias pode se tornar mais caro e demorado. A co-autora do artigo, a doutora Barbara E. Murray disse que essa nova cepa do MRSA detém "o pior tipo de resistência possível".

A meta agora é aumentar a vigilância na América Latina em busca de novos casos, ao mesmo tempo em que a comunidade médica em todo o mundo ficará em alerta. Desenvolver novos antibióticos não é tarefa fácil e não podemos nos dar ao luxo de perder os que possuímos hoje, ou não vamos durar muito.

Fonte: SD.

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