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CEO da BlackBerry cogita a possibilidade de abandonar o mercado mobile

CEO John S. Chen admite a possibilidade da BlackBerry se retirar do mercado mobile se ela continuar tendo prejuízo pelos próximos dois anos

10/04/2014 às 11:15

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Ao contrário da percepção distorcida dos executivos da BlackBerry a empresa está de mal a pior, perdendo dinheiro loucamente e se estranhando com parceiros estratégicos. A sucessão de pataquadas da empresa, que chegou a demitir funcionários para cortar custos enquanto comprava um jato novo resultou na perda de bilhões e uma tentativa de venda frustrada, algo que Chen chamou de "circunstâncias desafiadoras", afirmando que ela daria a volta por cima.

Agora a ficha caiu. Em entrevista à Reuters o CEO John S. Chen admitiu que se em dois anos a divisão mobile não voltar a dar lucros ela poderá abandonar o mercado, se voltando totalmente ao fornecimento de softwares corporativos e de segurança.

Chen assumiu o cargo de CEO em novembro, e embora já tenha dado algumas declarações um pouco otimistas demais ele tem o pé mais calcado no chão do que o último no cargo, já que ninguém vai esquecer tão cedo o que Thortein Heins disse sobre tablets. Chen diz que pretende voltar a BlackBerry para o mercado corporativo, se focando tanto em hardware quanto software; porém ele não descarta a possibilidade de abrir mão dos smartphones se eles não derem dinheiro no futuro. Nas palavras dele:

Eu não possuo um plano para me livrar da divisão mobile, mas tenho um para não depender dela. (...) Se eu não puder lucrar com o mercado de dispositivos móveis, eu não irei permanecer nele.

Chen está dando um prazo de dois anos à si mesmo e à BlackBerry para que ela volte a ser lucrativa, entretanto se o naufrágio de sua linha de smartphones foi irreversível a companhia se voltará para software de segurança e conectividade voltados principalmente à empresas, mas também considera vender programas para conectar os mais diversos dispositivos, de carros a monitores cardíacos. O crédito vai para a QNX Software, empresa adquirida em 2010 e cujo sistema operacional serviu como base para o BB10.

Chen ainda discutiu o imbróglio com a T-Mobile, dizendo que na posição de CEO ele não poderia "dar passe livre a uma empresa que deliberadamente está arrancando seus clientes dela". Apesar da BlackBerry ter se enfiado no buraco em que encontra praticamente sozinha eu concordo com seu ponto de vista. Entretanto, se a empresa espera voltar a ser um player de respeito no cenário mobile ela terá que admitir que o jogo mudou. Insistir nos teclados físicos em 2014 em detrimento das telas touch é uma estratégia errada, mas ela precisa entender que o BB10 é um bom sistema e os produtos mais recentes que rodam ele, como o Z3 e o Q30 são muito bons. Eu espero realmente que a BlackBerry saia dessa, desde que ela ajude a si mesma.

Fonte: Reuters.

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