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Não hackeie seu Tesla, Tony Stark não gosta

Essa pegou muita gente de surpresa: um dono de um Tesla S resolveu fuçar num conector Ethernet, começou a acessar a rede do carro (é, carro hoje tem isso) e descobriu toda sorte de informação suculenta. Até receber um telefonema da empresa avisando que perderia a garantia e poderia até responder por espionagem industrial, se continuasse.

07/04/2014 às 6:35

Iron_man

Elon Musk é uma das inspirações para o Tony Stark cinematográfico, e faz por onde. Um dos fundadores do Paypal, ele é uma das poucas pessoas do mundo que pode dizer que tem uma nave espacial E produz carros elétricos decentes. Musk é favorito dos geeks, e todos o apoiam em sua briga contra o cartel das grandes montadoras.

Só que Musk não é santo, e a Tesla, com todo seu modernismo está se posicionando contra o mais nobre espírito hacker, que antecede os próprios computadores.

Desde que o automóvel foi inventado entusiastas dedicavam suas noites e fins de semana para fuçar, aprender e modificar seus carros. Nos EUA nos anos 30, durante a Lei Seca carros eram envenenados para superar tudo que a polícia usasse para perseguir os contrabandistas de bebidas. Foi o nascimento da cultura dos Hot Rods.

Com o advento dos carros com injeção eletrônica e depois com limitações de performance por software, os donos com perfil hacker fizeram engenharia reversa, aprenderam como o sistema funcionava e logo estavam reprogramando o carro. Um amigo meu baixou um firmware que tem o Modo Manobrista, a potência fica lá embaixo e a velocidade não passa de 40 km/h.

Outro exemplo é o Nissan GT-R. Um super-carro fantástico, mas limitado por software a 250 km/h de velocidade máxima. Pior. No Japão ele é limitado a 178 km/h, MAS se o GPS detecta que você está em uma pista de corrida, ele libera o limite de velocidade. Faz sentido você pagar uma fortuna e ter performance limitada artificialmente ou é direito do dono desligar esses controles?

No caso dos carros da Tesla não é tão simples.

Um usuário (é, carros agora têm usuários) conseguiu descobrir a pinagem do Conector Misterioso do seu Modelo S, e era uma conexão proprietária mas o protocolo, Ethernet. Logo o sujeito descobriu uma rede local rodando Ubuntu, com direito a Telnet, X11, SSH, Apache e por aí vai. Até rodar Firefox no console central de 17 polegadas ele conseguiu.

2012-Tesla-Model-S-interior

Uma senhora tela.

Nesta thread em um forum de fãs da Tesla o cidadão descreve suas descobertas, dia-a-dia. Vai tudo muito bem até a hora que ele recebe um telefonema da empresa. Os engenheiros teriam detectado uma tentativa de hacking. O dono do carro explicou que estava fuçando e tentando acessar dados de performance, essas coisas.

O sujeito do outro lado não ficou impressionado. Disse que isso poderia ser caracterizado como espionagem industrial e ele perderia a garantia se continuasse.

Ou seja: seu carro é seu mas você não pode fazer o que quiser com ele. Ainda mais com o Tesla tendo conexão 3G permanente. Sim, seu carro agora é dedo-duro. Voltamos ao tempo do Jailbreak ilegal.

PORÉM como sempre o mundo não é em preto-e-branco. Não estamos falando de um celular ou iPod. Acho que pouca gente acharia errado a Airbus e a Boeing mandando ninjas pra casa de qualquer um que tente hackear um de seus aviões. Um carro só é seguro dentro dos parâmetros especificados pelo fabricante. Imagine se alguém desliga o limitador de temperatura de bateria para recarregar mais rápido, e no dia seguinte o carro pega fogo.

Talvez estejamos vivendo o começo de uma era onde o conceito de propriedade se torne mais elástico. Talvez em nome da segurança dos usuários as empresas do futuro se recusem a abrir mãos do controle total sobre seus produtos. Convenhamos, um monte de gente que está xingando a Tesla seriam os primeiros a gritar “processo!” se um idiota morresse por hackear o carro e ele resolver não frear mais.

A gaiola dourada das App Stores vem funcionando muito bem. Talvez seja um preço justo a pagar por carros mais seguros, e com os carros autônomos que em um futuro próximo começarão a ocupar as ruas, é muito provável que fuçar e alterar o software do carro se torne mais que violação de copyright. Será essencialmente ilegal.

Fonte: SG.

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