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Russos dizem estar prontos para o Pleistocene Park

Muitos vão dizer que é Jurassic Park com orçamento de filme nacional, Tony Ramos de tromba, mas o projeto de clonar um mamute está cada vez mais próximo e quando conseguirem, será épico. Clique e veja como uma mamuta sem sorte se tornou a maior esperança de isso acontecer.

03/04/2014 às 9:45

flintstones_L01

Esta cena é mais cientificamente correta do que Jurassic Park.

Uma das lições de moral de Jurassic Park é que a Natureza sempre acha um caminho, que não devemos brincar de Deus, não podemos mexer com coisas que não compreendemos totalmente, bla bla.

O Matemático Moscão repete toda hora esses alertas, como se o T-Rex estivesse programado para fugir. No final o saudoso Bussunda resolveu o problema com uma simples sugestão: clonassem só dinossauros herbívoros e o Parque seria um sucesso do mesmo jeito, sem os riscos.

Claro, isso se fosse viável. Uma pesquisa demonstrou que a meia-vida do DNA é de 521 anos, ou seja: nesse período de tempo metade das ligações químicas terão se perdido. Em mais 521, metade das que sobraram, e assim por diante. Em condições ideais 100% do DNA estaria perdido em 6,8 milhões de anos. 10 vezes menos do que os 65 milhões de anos do Parque Paleoceno (se você usar a data) ou Parque Cretáceo, se usar a época em que os T-Rex foram extintos.

Mesmo assim ainda dá pra brincar de Deus direitinho com as migalhas que a natureza deixou, e talvez até corrigir uma das primeiras hagadas humanas, a extinção dos Grandes Mamutes. Majestosos, amigáveis e idiotas (“Era do Gelo” também é cultura) foram caçados até não sobrar nenhum. Foram virtualmente extintos tem uns 10 mil anos, e efetivamente sumiram de vez quando uma população isolada, na Ilha Nublar Wrangel desapareceu, uns 4 mil anos atrás.

Agora isso tudo pode mudar. Cientistas encontraram uma carcaça de mamute incrivelmente bem preservada. Foi na Yakutia, então provavelmente os lactobacilos ajudaram.

A tal carcaça inicialmente foi datada como tendo 10 mil anos, mas estudos posteriores mostraram que era uma fêmea, de 50 ou 60 anos de idade, que havia caído num buraco no gelo e morrido 43 mil anos atrás. Mesmo assim estava mais bem preservada que um corpo enterrado por 6 meses.

Para dar uma idéia da preservação:

insdie blood 2

Sangue. Líquido. De um mamute de 43 mil anos.

Amostras de tecidos foram extraídas e os cientistas disseram que parecia que estavam cortando um animal vivo. Ou melhor, recém-morto. Vivo seria crueldade.

inside muscles seen on body

Oh my God, they Killed Manny! You bastards!

O músculo era vermelho e macio ao toque. Na necrópsia acharam um monte de tecidos moles. Estômago preservado, com conteúdo, fígado, vasos sanguíneos, tudo. A perspectiva é que haja DNA mais que suficiente para clonar a mamuta, mas não será tão simples. Mamutes e elefantes se separaram 7 milhões de anos atrás, nessa época, para alegria do Bolsonaro não havia nenhum Homo, quem reinava era o Nakalipithecus nakayamai, o antepassado comum que daria origem aos gorilas, chimpanzés e humanos.

Mesmo assim, há esperança. A semelhança genética entre mamutes e elefantes é de 99,4%; espécies mais afastadas conseguem gerar prole viável, e é isso que os russos estão contando. Essa tecnologia de clonagem seria essencial para resgatar da extinção outras espécies, e ironicamente Jurassic Park ensina como um projeto de clonagem pode se tornar uma bênção para a ciência.

Um parque, uma reserva de mamutes em seu habitat natural renderia bilhões de dólares em turismo. Acrescente uma preguiça gigante e um tigre de dentes-de-sabre e todas as crianças do planeta (eu incluso) venderão a mãe para comprar um ingresso.

Fonte: ST.

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