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A última do Snowden: o governo dos EUA montou uma enorme estrutura para espionar a Huawei

NSA teria aberto backdoors de equipamentos da Huawei para ter acesso a informações que a ligassem com o governo chinês e os levassem a hackers e terroristas!

24/03/2014 às 16:33

huawei-japinhas

Como não passa um mês sem ter alguma nova pílula sobre Edward Snowden, NSA e cia limitada, a última que jornais como New York Times e Der Spiegel publicaram para dar aquele gás costumeiro nas vendas é sobre a Huawei, a fabricante de smartphones chinesa que tomou uma bela canseira do governo norte-americano, foi acusada de ser espiã a serviço da cúpula chinesa e por fim desistiu do mercado dos Estados Unidos, tendo voltado seus olhos sem muita surpresa para o Brasil.

No melhor estilo “chumbo trocado não dói”, a NSA teria montado uma estrutura gigantesca para montar uma rede de monitoramento da empresa chinesa, sob a alegação que ela seria um braço do governo chinês para espionar os Estados Unidos. Para isso ela realizou exatamente o que acusa a China de fazer (e que todo mundo faz, até o Brasil, não se iluda).

A operação Shotgiant iniciada em 2009 consistia em abrir backdoors e monitorar o servidor central localizado em Shenzen, na China. Motivo: toda a comunicação de funcionários da Huawei passa por ele, mesmo dos executivos. Com acesso aos servidores a missão se dividia em duas: descobrir qualquer ligação entre a empresa e o Exército de Libertação Popular, o braço militar do Partido Comunista Chinês e claro, encontrar maneiras de conseguir se infiltrar em equipamentos da Huawei fornecidos a países como Irã, Coreia do Norte, Afeganistão, Quênia e Cuba. O documento aponta que ao menos 20 grupos de hackers do governo chinês estariam sendo monitorados com sucesso pela NSA utilizando esse método.

A questão é que os documentos não informam se houve alguma conclusão se a Huawei era realmente ligada ao governo chinês. Em todo caso já sabemos que o governo dos Estados Unidos fez de tudo para desencorajar empresas locais a assinarem contratos com ela, o que a levou a desistir de tentar entrar no país.

A grande preocupação nesse assunto é que caso seja verdade (já que ultimamente todo mundo tomou o técnico número um do Kremlin como o novo profeta do apocalipse), a extensão de até onde a NSA poderia invadir é enorme: a Huawei é responsável por um terço do backbone da internet e inclusive tem presença massiva no Brasil: Vivo, TIM e Claro possuem contratos conhecidos com a empresa chinesa para fornecimento da tecnologia da rede 4G em vários lugares do país.

Para variar a notícia causou um certo rebuliço. A Casa Branca deu a entender em sua declaração de que “não fornece dados coletados às empresas dos Estados Unidos” que a espionagem para fins de defesa é válida e não fazem questão de negá-la. Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China Hong Lei exigiu explicações de Washington sobre a denúncia, além de pedir para que parem de espionar seu país. Até parece que também já não vem fazendo isso há tempos, como todo mundo. Já o executivo da Huawei nos Estados Unidos William Plummer foi irônico, ao dizer que “os Estados Unidos fizeram aquilo do que acusam a China de fazer através de nós”. Além disso disse que caso tenham mesmo tido acesso a seus servidores, a NSA viu que eles não tem vínculos com o Partido Comunista.

Enquanto o teatrinho segue como é de praxe e Snowden continua consertando computadores, o fato é que não há como evitar monitoramento de quem quer que seja. Essa briga de quem espiona quem existe desde que o mundo é mundo e não é hoje que deixará de ser feita, e quem alegar isso estará mentindo. Além disso eles querem peixes grandes como terroristas e informações comerciais como da Petrobrás, e não o que você conversou com sua namorada via WhatsApp ontem. Portanto relaxem, Putin e Obama coletam tudo mas não quer dizer que leiam tudo.

Fontes: New York Times e Der Spiegel.

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