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Quiprocó com os Russos agora afeta programa espacial… americano

Com essa nem o datilógrafo contava. O azedamento das relações EUA-Rússia coloca em cheque o Atlas V, um dos maiores foguetes americanos, e talvez o mais confiável. A questão é que o motor do primeiro estágio é… russo.

24/03/2014 às 7:10

RD-180

Montou de cabeça pra baixo, ô mané.

Um grande erro que todo comunista de butique comete é achar que capitalismo é uma ideologia. É apenas um modelo econômico, a ideologia por trás se resume a ganhar dinheiro e cuidar da própria vida. Capitalismo não guarda mágoa. Por isso o McDonald's abriu alegremente uma loja em Moscow em 1990, e antes disso a Pepsi vendia refrigerante para a União Soviética, sendo paga em Stolichnaya. E isso foi em 1972.

A indústria espacial foi uma que não teve problema nenhum em abraçar os russos, ainda mais com seus excelentes designs de tecnologia pé-de-boi. A Soyuz tem uma fornalha pra carvão, se você precisar de força auxiliar ela tem remos, mas aquela desgraça não quebra. É uma verdadeira Kombi Espacial.

A tendência russa de resolver as coisas na grosseria também rendeu bons frutos, os motores deles são ótimos, tanto que a United Space Alliance, uma join-venture entre a Boeing e a Lockheed Martin não pensou duas vezes antes de comprar o RD-180, o motor da imagem acima. Ele equipa hoje o Atlas V, foguete de qualidade excelente, com 42 lançamentos bem-sucedidos e um sucesso parcial.

O acordo com a Rússia previa co-produção, mas como eram todos amigos colegas trabalhando em prol do bem comum, empurraram com a barriga e a produção dos motores ficou 100% a cargo dos russos.

Agora a situação entre os dois países desandou e corre o risco do Putin decidir que não manda mais motores, afinal os Atlas V são a plataforma que coloca em órbita satélites espiões.

DIZEM os americanos que tem motores em estoque pra mais dois anos. Só que projetar um equivalente levaria 5 anos e consumiria mais de US$ 1 bilhão. TALVEZ a SpaceX consiga testar seu Falcon Heavy até lá, e TALVEZ consiga suprir a demanda, mas ninguém sabe. A suprema humilhação seria os EUA pedindo pra França (ou pior, China) lançarem seus satélites.

Pode ser também que nada mude, os russos como todo mundo gostam de dinheiro. Se nada acontecer, que fique ao menos a lição de não colocar todos os ovos na mesma cesta.

Fonte: YN.

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