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Fraudes e Jeitinhos nos concursos internacionais

Não é só no Brasil que existe o tal do jeitinho. Nos concursos fotográficos internacionais alguns também tentam executar a prática. A diferença é que lá muitos são pegos e punidos.

21/03/2014 às 14:22

O brasileiro tem mania de achar que o tal jeitinho é coisa exclusiva de nossa terra. A coisa existe no mundo inteiro. Acho que a principal diferença é que em alguns povos, quando a malandragem é descoberta, os autores sofrem punição, ou ficam totalmente desacreditados perante a sociedade que, oficialmente, não concorda com essas práticas. Aqui a gente descobre e ainda fica com inveja do cara que se deu bem. Coisas da vida. Para provar que nenhum ambiente está livre de pessoas que tentam burlar algum tipo de regra, ficamos sabendo de dois casos voltados a grandes concursos de fotografia.

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O primeiro foi o Sony World Photography Awards, um concurso que ganhou o respeito de muita gente pela qualidade das imagens que são inscritas. Uma das categorias do concurso é voltada para jovens fotógrafos, cuja condição para participar é ter até 19 anos de idade. O vencedor desta categoria, no subtema Cultura, tinha sido o Iraniano Borhan Mardani , que realmente enviou uma foto muito boa para o concurso. Porém, ao analisar a data do arquivo RAW e as informações do fotógrafo, perceberam que ele estava acima da idade máxima para a participação na referida categoria do concurso. Sem alarde ou comoção, a foto dele foi substituída pela nova vencedora, a Russa Anastasia Zhetvina.

O segundo concurso que vale a pena fazer algumas considerações foi o World Press Photo, que teve seu resultado divulgado no começo do ano. Quem acompanha a premiação sabe que no ano passado o grande vencedor foi acusado de ter levado o prêmio para casa com uma fotografia que foi alterada digitalmente. Para este ano, a organização do concurso engrossou o discurso e exigiu que todos os competidores enviassem o arquivo RAW que gerou a imagem final. Para apurar a veracidade das imagens inscritas, foi contratado uma consultoria independente para analisar os arquivos. Incrível constatar que 8% dos finalistas da primeira escolha foram desclassificados por infringirem a regra de não fazer modificações na imagem. Quem passou a informação foi Gary Knight, presidente do Juri do World Press Photo.

Além disso, já que falamos do Presidente do Juri, todo mundo está torcendo o nariz pelo fato dele, Gary Knight e John Stanmeyer, o grande vencedor deste ano, serem sócios fundadores de uma empresa de fotografia chamada VII photo. Todo mundo concorda que Stanmeyer fez uma grande imagem e, realmente, poderia ser o ganhador, mas se isso não é conflito de interesses então acho que nada mais é.

Ou seja, aqui ou no resto do mundo, os espertos tentam se dar bem. Alguns conseguem, outros não.

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