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Microsoft vendendo ao FBI informações de usuários? Não é bem assim.

Microsoft vendendo ao FBI informações de usuários? Não é bem assim. Na verdade eles estão cobrando pela informação que o FBI legalmente pode solicitar. As agências do Governo não gostam nada da cobrança, então isso deve ser uma coisa boa.

21/03/2014 às 14:24

foxmulder

Está rolando nas interwebs uma história de que a Microsoft está vendendo informação de seus usuários para agências do governo dos EUA. Os haters, claro, adoraram, caíram de pau, afinal no dia que a Microsoft descobrir a cura do câncer essa gente vai protestar pelos oncologistas desempregados. Na prática a história, como todas é bem mais cinza que o mundo preto-e-branco que essa gente vive.

Ao contrário de países onde juízes mandam “fechar o Twitter” e oficiais de justiça lacrando o provedor do blog Twitter Brasil, os EUA perceberam que era preciso entender como essa nova realidade funciona, e que o modelo antigo de investigação era inviável. Então inventaram uma marmotagem que é uma espécie de ordem judicial genérica, com a qual podem requisitar no atacado informações sobre usuários de serviços de internet.

É algo necessário mas não deixa de ser uma enorme sacanagem, abre mão de justificativa individual, não requer aprovação do juiz, não é monitorada… e isso não é exclusividade da “malvada” NSA. FBI, Serviço Secreto, todo mundo usa essas autorizações. Menos a CIA, que é proibida de espionar cidadãos americanos. Claro, em uma prova de que nos EUA a Lei e o desrespeito à Lei são igual para todos, a CIA foi flagrada espionando os computadores da Comissão de Inteligência do Senado, que estava investigando… a CIA.

Algum tempo atrás surgiu a “denúncia” de que todos os grandes serviços, como Google, Yahoo, Facebook, Microsoft, Apple repassavam informações para agências do Governo. Rolou o revolt habitual, mas a verdade é que eles não tem opção. As requisições são legais. A maioria vem de um Tribunal Secreto (sério) e legalmente as empresas não podem nem reconhecer publicamente a existência dos mandados.

Agora o tal grupo ráquer Syrian Electronic Army diz ter invadido contas da Microsoft e descoberto que ela cobra das agências do governo para fornecer as informações. Isso foi distorcido pra “Microsoft vende”, como se tivessem anunciado no Mercado Livre os serviços de espionagem dos próprios usuários.

simpsons_NSA

A tal cobrança, também por incrível que pareça, é legítima. A legislação determina que a empresa monitorada pode exigir que os custos do monitoramento sejam cobertos pela agência solicitante. No caso da Microsoft cada solicitação custa US$ 200,00. Em agosto de 2013 o FBI foi faturado em US$ 352.200,00. Em 2012 a tabela era diferente. A Microsoft cobrava US$ 50,00 por intimação, US$ 75,00 por ordem judicial e US$ 100,00 por mandado de busca.

A AT&T cobra US$ 325,00 de taxa de ativação e US$ 10,00 por dia para monitorar uma conta por ordem das agências governamentais. A Verizon mete a faca. US$ 775,00 no primeiro mês e US$ 500,00 do segundo em diante.

Isso é uma forma das empresas segurarem o apetite das agências, que como bons órgãos governamentais são um reduto de papelada, burocracia e contadores exigindo a nota fiscal de cada Martini e camisinha que James Bond consumiu durante a missão.

Ironicamente mandar a conta é mais benéfico aos usuários do que tentar brigar na Justiça, onde seriam questionados caso-a-caso, acusados de anti-patriotismo e de qualquer forma o tal tribunal secreto só rejeitou 0,03% dos pedidos de monitoramento em sua história.

Isso também cria registros que são incômodos pras agências, e evita casos como as operações LOVEINT da NSA, onde agentes usavam as tecnologias de interceptação de comunicações para espionar namoradas e esposas. Sim, igual em True Lies!

Esses valores, 300, 200 contos por mês pra Microsoft é troco de pinga. Não pagam nem as balinhas que ficam na recepção da empresa, mas pras agências faz com que segurem a onda. Não é a solução ideal, e não é sequer relações públicas, pois não era pra esse tipo de informação ter vindo à tona. É uma tentativa dessas empresas em ser uma pedra no sapato do Governo. Elas sabem que dependem de confiança e se seus usuários a perderem, elas já eram.

Não é um grande consolo mas ao menos no nosso 1984 a Big Brother come à la carte, e não no rodízio.

Fonte: DD.

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