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Nikon D600 não pode mais ser vendida na China

E a Nikon levou mais uma pancada. Um programa Chinês de defesa ao consumidor alega a empresa de vender um equipamento sabidamente com defeito e se negar a trocar ou receber de volta a câmera. Mais um capítulo na saga da D600 e seu sensor imundo.

17/03/2014 às 23:32

Ei, sei que não é legal chutar cachorro morto, mas essa história fica cada vez mais deliciosa. Mais um capitulo na saga da Nikon D600 e seu sensor imundo. Resumo da ópera para quem foi abduzido ou estava preso em uma mina de carvão. A Nikon D600, câmera full frame de entrada, chegou ao mercado causando alarde, mas logo se transformou em um pesadelo. Muitos usuários começaram a relatar que a câmera ficava com o sensor sujo depois de poucos cliques. Pior, o sensor ficava sujo mesmo com a lente acoplada ao equipamento. Ou seja, por onde a poeira estava entrando? Depois de ser taxada como aspirador de pó em alguns vídeos do youtube, logo se descobriu que a sujeira encontrada no sensor era um tipo de óleo lubrificante que se desprendia (espirrava) do mecanismo do obturador. Mesmo com todas as provas, a Nikon se fez de morta e só veio reconhecer o problema (parcialmente) depois de um ano. Mentira, nem parcialmente, pois o que se entende pelo anúncio oficial é que algumas poucas câmeras apresentaram o problema e que a empresa seria magnânima em fazer uma análise do equipamento dos consumidores que reclamarem ao seu departamento de manutenção.

Nikon_D600_china

A coisa rendeu muitos vídeos irados na internet, reclamações em sites especializados e algumas firmas de advocacia montaram grupos de consumidores para processar a empresa. Ou seja, tudo normal para a Nikon. Agora, a nova pancada meio da China. O programa 3.15 (um programa investigativo) da rede estatal China Central Television teve como tema o problema com a Nikon D600. O programa acontece apenas uma vez por ano (no Dia do Consumidor chinês) e quase sempre tem como alvo as empresas estrangeiras que atuam no país. Para falar a verdade, todas ficam em alerta na época do programa e, invariavelmente, a empresa alvo precisa de políticas de controle de danos imediatamente. Desta vez o alvo foi a Nikon. O programa acusou a Nikon de vender um produto sabidamente com defeito e fez filmagens com câmeras escondidas de funcionários das lojas se negando a receber de volta ou trocar equipamentos alegando que a culpa é da poluição atmosférica. A coisa caiu como uma bomba e o governo chinês emitiu uma ordem onde exigia que o equipamento fosse proibido de ser vendido na China. Mediante tamanha propaganda negativa, a empresa retirou das prateleiras todas as câmeras que ainda estavam por lá e, praticamente, admitiu a culpa no cartório, algo que ainda não tinha acontecido. Só no ano passado a Nikon faturou 1,16 bilhões de dólares na China. É uma grande falta de visão colocar em risco o faturamente deste tamanho por conta da propaganda negativa gerado por um equipamento que todo mundo sabia que possui defeito e que ainda está nas prateleiras das lojas.

Finalmente a Nikon admitiu o problema e disse que todos os consumidores serão atendidos pelo programa de reparos da empresa, que já havia sido anunciado para os Estados Unidos e Europa. Porém, o que pegou foi a recusa dos funcionários locais em receber a câmera de volta. Por conta disso, as ações da Nikon cairam mais 1,7% na Bolsa de Valores de Tóqui acumulando, somente neste ano, uma queda de 14%. Continuo afirmando que, em minha opinião, a Nikon produz atualmente as melhores câmeras do mercado, mas é uma coisa extremamente amadora essa pataquada toda com a D600.

P.S.: já tive indicação de pelo menos um consumidor brasileiro que enviou a sua D600 para a manutenção da Nikon no Brasil por conta do defeito. A câmera foi recebida pela empresa e não exigida nota fiscal. O equipamento está em análise e a resposta se haverá recall ou não ainda é uma incógnita.

Fonte: Business Week

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