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Apple pressiona gravadoras a usarem o “método Beyoncé” de divulgação de álbuns digitais

Depois do sucesso do novo álbum de Beyoncé na iTunes Store, Apple estaria pressionando gravadoras a divulgarem seus lançamentos digitais da mesma forma

04/03/2014 às 12:30

beyonce

Quando Beyoncé lançou seu quinto álbum de estúdio a princípio exclusivamente na iTunes Store, foi um Deus nos acuda. Ela própria, ao se mostrar "entediada" com a forma mecânica que a indústria da música realiza a divulgação de seus trabalhos, ela resolveu fazer algo diferente de tudo até então.

Sem alarde, sem uma nota sequer, o álbum pipocou na lojinha da Apple no dia 13/11/2013 com uma divulgação maciça, ocupando todos os cinco banners da página principal. Por uma semana inteira o álbum só poderia ser adquirido via iTunes e de forma integral, sem opções de aquisição das faixas separadamente.O resultado foi o esperado: os fãs correram para a loja e conseguiram derrubar o iTunes, e em uma semana ele vendeu mais de um milhão de cópias digitais. Apenas a partir do dia 20/11 as cópias físicas chegaram às lojas, bem como foram liberadas as faixas individuais.

Sem querer a cantora criou com seu "álbum visual" um novo formato de vendas e por tabela uma nova forma de divulgação, que agradou Cupertino. Tanto que segundo a Billboard, ela estaria forçando as gravadoras a seguirem o formato de divulgação de modo a impulsionar as vendas digitais de álbuns completos. Não necessariamente se utilizando de um xerox do assim chamado "método Beyoncé", mas empregando estratégias criativas de forma a atrair a atenção do público e com isso, vender mais álbuns.

O executivo responsável pelo iTunes Robert Kondrk estaria preocupado com a recente queda nas vendas de músicas digitais (de 1,34 bilhões de faixas em 2012 para 1,26 bilhões em 2013, redução de 5,7%) e estaria buscando métodos para inflar os números. Em janeiro, numa reunião entre ele os principais executivos de diversas gravadoras ele foi até bem ríspido, exigindo que novos álbuns fossem vendidos no iTunes a princípio sem opção de comprar as faixas em separado e dando preferência à Apple principalmente no que diz respeito ao streaming; a recomendação de Kondrk seria "evitá-los", mesmo que as gravadoras não queiram fazer uma divulgação criativa de seus lançamentos. E talvez essa conversa esteja começando a dar frutos: o novo álbum do rapper Kid Cudi, Satellite Flight, foi lançado na última semana exclusivamente em lojas digitais, tendo o iTunes como a principal.

Pode até ser que a Apple esteja certa, forçando as gravadoras a abrirem os olhos e verem que o mercado físico não está com nada e na área digital, o iTunes provou que há pessoas interessadas em comprar músicas digitais atreladas a um serviço decente. O mesmo fez Gabe Newell pelos games de computador com o Steam: ofereça um serviço decente e o interesse pela pirataria irá diminuir. Em geral executivos de gravadoras são tão quadrados quanto os de TV, e a Apple pode se aproveitar da situação onde o dinheiro está fugindo pelo ladrão para lucrar mais e aumentar a relevância do iTunes. E na sua atual posição Cupertino tem certa razão em fazer pressão.

Fonte: Billboard.

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