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Corpos Celestiais Flutuando no Espaço (sim, é a Kate Upton)

A Sports Illustrated fez um ensaio inédito, desbancando a Sandra Bullock no quesito totosas flutuantes. Colocaram a Kate Upton em um daqueles aviões (inception!) que fazem vôos parabólicos e fotografaram a beldade em gravidade zero. Ou não? Leia e descubra como não só ela não estava sem gravidade, como os astronautas da NASA também não estão flutuando.

21/02/2014 às 12:40

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Quando Ron Howard começou a produzir Apollo XIII, foi buscar apoio da NASA. A primeira coisa que pediu foi para filmar na “sala antigravidade” onde treinam os astronautas. Depois que as gargalhadas (internas, cientistas são educados) cessaram, foi explicado que infelizmente a NASA ainda não domina tecnologia antigravidade, e que a maior parte do treinamento é feito em uma piscina.

Como Jim Lovel Molhadinho não venderia muito ingressos, usaram um meio alternativo para simular falta de gravidade, o mesmo método que a NASA usa para alguns treinamentos, começando no Projeto Mercury, em 1956. É o chamado Cometa Vômito, embora o nome oficial pros aviões seja “Weightless Wonders”.

A idéia é simples: o avião sobe, em uma parábola, acelerando com tudo. Em seguida começa a descer, em ângulo. Dentro os passageiros entram em queda livre, como um paraquedista, mas como não estão vendo o chão se aproximando, acham que estão flutuando pacificamente, não caindo como uma pedra em direção a uma terrível morte. Após um tempo, preferencialmente antes de chegar ao chão, o piloto reverte a queda, iniciando outra parábola, repetindo o processo.

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Um senhor avião. Na verdade dois, há um 727 ao fundo.

O Cometa Vômito tem esse nome por causa das estatísticas. 1/3 dos passageiros vomita desesperadamente, 1/3 passa mal razoavelmente, e 1/3 adora a experiência e não sente nada. 100% dos estagiários que limpam os aviões odeiam a experiência, os pilotos, as aeronaves, os passageiros e o Universo.

Agora o mais legal: embora todo mundo (inclusive a gente) chame de “gravidade zero”, nada está mais distante da verdade. Tudo dentro desses vôos está sujeito à gravidade. Você não está flutuando, está caindo com estilo. Mesmo assim não dá para dizer que é fake, os astronautas em órbita estão passando pelo exato mesmo fenômeno. A gravidade sentida na Estação Espacial equivale a 90% da percebida na superfície da Terra.

Os astronautas não estão flutuando, estão caindo em direção à Terra, a uma velocidade de mais de 40.000 km/h. Pra sorte deles, a Terra é redonda.

Eles não morrem graças a Newton, quem em 1728 demonstrou o conceito de órbita. A idéia é simples:

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Se você disparar uma bala de canhão horizontalmente, do alto de uma montanha, ela muito provavelmente cairá. Se colocar mais pólvora, ela sairá mais rápido, cairá mais longe. Em algum momento ela percorrerá uma distância tão grande que passará do horizonte, a curvatura da Terra fará com que a bala não tenha mais chão onde cair.

Ela é puxada para baixo, mas está tão rápido que quando chega aonde o chão deveria estar, ele não está mais lá. E como não há atrito do ar, o ciclo se repete.

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Em verdade não existe nenhum lugar do Universo onde não há gravidade. Nós estamos sujeito à gravidade da Terra, que está na esfera de influência do Sol, que é afetado pelas estrelas próximas, que reagem à gravidade da Via Láctea, que sofre efeitos do Grupo Local de Galáxias, que é afetado pelo SuperCluster, e por aí vai. Se há massa, há gravidade.

A única diferença em termos de percepção entre os astronautas na ISS é que tirando a Sandra Bullock a maioria não consegue competir com a Kate Upton, e eles caem por meses, enquanto no Cometa Vômito você só consegue flutuar por algo entre 25 e 30 segundos, depois passa mais 65 esperando o próximo ciclo. Ah, nessa hora, quando o piloto puxa o manche e reverte a parábola, todo mundo experimenta 1,5 G. Desagradável mas nada de outro mundo. Montanhas russas normalmente passam de 5 G.

Hoje além de astronautas russos americanos chineses e europeus, a peãozada como a gente também pode brincar nesses vôos, como demonstrado neste incrível ensaio da Sports Illustrated com a Kate Upton. Há diversas firmas que oferecem esses passeios, entre eles a Zero G. Quando custa? US$ 4.950,00; por um vôo com entre 12 e 15 parábolas. Mesmo sem a Kate Upton como adereço de cena, vale cada centavo.

Ah sim, tem vídeo. De nada.

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