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Confissões de Mountain View: Google+ é mais útil à empresa do que aos usuários

Ato de empurrar o impopular Google+ aos usuários à força e amarrá-lo ao motor de busca que domina o mercado está sendo visto como ameaça às leis antitruste

18/02/2014 às 8:00

google-plus

Então, não é novidade que o Google tem feito de tudo para empurrar o Google+ goela abaixo dos usuários há um bom tempo. Seja para comentar no YouTube, linkar o perfil com o Gmail, transferir dados do quase finado Orkut ou refinar dados de busca, a verdade é que boa parte dos serviços da empresa exigem que o usuário crie um perfil, mesmo que não vá usá-lo quase nunca. Ele está lá, um círculo geralmente vazio com quase nenhuma utilização por boa parte dos usuários mas por imposição de Mountain View, é obrigado a existir.

Por quê? Para quem sabe como o Google ganha dinheiro a resposta é óbvia: centralizar a vida digital do usuário num único ponto, o que facilita e muito a coleta de dados e a exibição de anúncios. Ainda que o Facebook também tenha sido acusado de monitorar tudo o que o usuário visita, ele ainda precisa clicar no botãozinho de like para Zuck ter acesso ao que você viu. O Google não precisa disso, pois você já linkou todos os seus serviços com seu perfil do Google+: o perfil centraliza todas as suas contas, cataloga seus contatos de e-mail, os lugares que você frequentou, os vídeos que assistiu, absolutamente tudo é concentrado num único ponto, montando um banco de dados de sua vida digital.

O Google+ tem atualmente cerca de 540 milhões de usuários cadastrados. Desses, quase metade não frequentam a rede social. E o Google não está preocupado com a subutilização dela: na verdade, nas palavras do VP de Produtos Bradley Horowitz a empresa tem plena consciência de que o Google+ é mais útil à ela do que aos usuários:

O Google+ permite à você a oportunidade de ser você mesmo, e dá ao Google um completo entendimento de quem você é.

O grande problema para o Google é o fato de que a rede social se tornou tão crucial para seus negócios, o que a leva a obrigar que os usuários criem perfis para comentar no YouTube e outras coisas que está atraindo para si a atenção da Federal Trade Comission, uma agência independente norte-americana que monitora o mercado para evitar práticas anticompetitivas, em geral violações das leis antitruste. Como o Google está atrelando o motor de busca que domina o mercado com um serviço impopular, a FTC está interpretando o movimento como abuso de monopólio, a mesma acusação que ferrou a Microsoft nos anos 90 quando ela vendia o Windows com o Internet Explorer. Na Europa o processo foi arquivado, mas o Windows até hoje não vem com nenhum browser instalado. Empresas também não estão imunes. O Google oferece privilégios nos resultados de busca e anúncios diferenciados caso elas criem perfis no Google+.

Em suma, Mountain View sabe que sua rede social é subutilizada, mas ela é uma poderosa ferramenta para centralizar os dados dos usuários e facilitar o seu trabalho onde ela ganha mais dinheiro, que são anúncios. Agora, se a denúncia da FTC se concretizar é possível que esse modelo de negócios não dure, e vamos ver o que a empresa vai bolar para não perder sua galinha dos dados de ouro da noite pro dia.

Fonte: NY Times.

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