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Nosso cérebro está aprendendo a reconhecer emoticons como rostos reais

Pesquisa aponto que nosso cérebro aprendeu a reconhecer emoticons como faces, respondendo da mesma forma ao visualizar rostos reais.

17/02/2014 às 14:00

emoticons

Nosso cérebro é programado de fábrica a reconhecer rostos. Entretanto ele nem de longe é um computador poderoso e perfeito como muita gente propaga por aí. Devido a maneira como evoluímos, nossa cachola têm a tendência a fabricar imagens e sons, além de forçar uma percepção errada das coisas para suprir suas compulsões, principalmente no que diz respeito à reconhecimento de faces, chegando a converter imagens independente do que os olhos vêem. Se duvida, veja este vídeo e tente impor à sua cabeça que o que você não é o que ela interpreta.

O cérebro também é capaz de identificar coisas conhecidas em elementos não relacionados, além do fato de que podemos ensinar a ele novos truques. Os emoticons por exemplo já são usados por nós há mais de 30 anos e nós sabemos o que significa : - ) ou : - (. Mas seria o cérebro capaz de identificar essas combinações de caracteres como rostos, respondendo da mesma forma ao ver uma face real?

Uma pesquisa realizada por cientistas da Flinders University na Austrália mostraram que sim. Cerca de 20 voluntários foram submetidos a um teste onde visualizavam diversas imagens entre emoticons, o clássico smiley e rostos reais. Sensores captavam os sinais cerebrais dos participante durante o experimento. Os resultados foram interessantes: a visualização de emoticons disparou respostas similares no lobo occipito-temporal, a área responsável pelo reconhecimento de rostos (é sabido que danos nessa área do cérebro levam à condição chamada de Prosopagnosia, a inabilidade de reconhecer faces). O sinal N170, que é ativado quando se observam rostos era ativado tanto quando o participante via rostos quanto visualizava emoticons. Temos utilizado tanto símbolos que representam faces que ensinamos ao cérebro a responder da mesma forma do que quando vemos um rosto. É notável inclusive que a forma como usamos os caracteres também influi no resultado: o sinal N170 não é ativado se girarmos o emoticon, pois ara o cérebro : - ) é um rosto mas ( - : não.

Para o Dr. Owen Churches, o resultado é importante porque demonstra que "somos capazes de integrar uma resposta aprendida ao cérebro junto com uma inata. Como emoticons são uma nova forma de comunicação, nós desenvolvemos um novo padrão cerebral para interpretá-los". Faz sentido, pois até 1982 não havia motivo algum para o cérebro entender um conjunto de caracteres como um rosto, mas nós temos desde então ensinado-o a associar um emoticon a uma face à força. E pelo visto deu resultado. A pesquisa foi publicada na Social Neuroscience.

Fonte: Wired.

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