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Quando o Equipamento é Importante?

Quem faz a foto é o fotógrafo ou a câmera? Vamos discutir um pouco sobre fotografia profissional e a real necessidade de um equipamento de grande qualidade e, consequentemente, preço.

13/02/2014 às 18:47

Perguntas que sempre chegam no meu e-mail e até via Facebook: qual câmera comprar? qual equipamento é o melhor? Quais lentes devo ter? A maioria dos fotógrafos iniciantes (e até alguns mais avançados) se prendem muito a questões relacionadas ao equipamento. Gastar, gastar e gastar é importante para ter tudo do bom e do melhor. A postura de quase 100% das pessoas que ensinam fotografia (cursos ou workshops) é dizer para você que equipamento não é importante, que quem faz a foto é o fotógrafo e não a câmera, e que é prioritário investir na formação do olhar. Mas, quase 100% destes professores, após dizerem essas palavras, tiram da bolsa uma câmera com uma lente top de linha. Ai fica uma pergunta: o equipamento realmente é secundário? O importante mesmo é o fotógrafo e seu conhecimento? Posso me dar bem com qualquer equipamento? Como diria meu amigo Jack, o estripador, vamos por partes, pois a resposta não é simples.

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Em primeiro lugar, não existe uma câmera ou uma lente perfeitas. Geralmente escolhemos o equipamento para uma determinada atividade, pois todos eles possuem suas limitações. Saber trabalhar com essas limitações é o que irá enriquecer o trabalho do fotógrafo. Então, nesse ponto, a questão do conhecimento do fotógrafo é importante. Outra coisa que devemos determinar aqui é a diferenciação do fotógrafo amador, do profissional e do artista. Para fotografar descompromissadamente a câmera é apenas uma ferramenta que vai propiciar diversão, então uma compacta avançada ou uma reflex de entrada podem suprir totalmente essas necessidades (sei que tem muita gente que vai discordar). Quanto aos fotógrafos artistas, o conceito envolvido na produção das imagens é muito mais importante do que a fotografia em si. Vários trabalhos artísticos renomados foram feitos (produções contemporâneas) com celulares ou câmeras compactas. O foco na produção artística é outro completamente diferente. Agora, temos o fotógrafo profissional, que por obrigação tem que entregar a melhor imagem possível e, por isso, possui um investimento mais alto em equipamentos. Mas, até que ponto isso é normal?

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Exemplo prático. Algum tempo atrás fui fotografar o casamento civil de um amigo. A sala do cartório era pequena, com paredes brancas e o teto baixo. Como não queria carregar peso fui até lá com uma antiga Nikon D3000 com a lente do kit e o flash SB600. Equipamento simples que não podem ser classificados como top de linha. As fotos ficaram incríveis, visto que o lugar não tinha nenhum complicador para a qualidade de imagem. Porém, na cerimonia religiosa a noite, a mesma câmera e lente não conseguiriam entregar a qualidade que eu acho necessária para uma ocasião tão importante. Neste momento, equipamento é uma coisa essencial. Sim, pode parecer até pecado para alguns dogmas da fotografia, mas ter uma câmera com boa resposta na relação do ruído e uma lente luminosa podem fazer a diferença entre uma grande fotografia e uma imagem não tão bacana.

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Então eu decidi ser fotógrafo profissional. O que devo fazer? Penhorar a casa, vender um rim? Não é bem assim. A primeira coisa é saber é como anda o mercado fotográfico de sua cidade. Em lugares pobres, onde o valor do serviço é baixo, você não vai comprar 15 mil reais em equipamentos. Vai demorar muito tempo para você ter o seu investimento de volta. Ou seja, tudo depende do mercado. Exemplo prático - aqui perto de Presidente Prudente (interior escaldante de São Paulo) conheço uma fotógrafa especializada em fotografar crianças, gestantes e casais, no que se convencionou chamar de estúdio de rua (parques, praças, áreas verdes). Para isso ela usa uma ultrazoom da Nikon. Para os desafios e necessidades de trabalho dela, além da expectativas dos clientes, isso é suficiente e perfeito. O mercado local permite isso. Em um grande centro já não seria o mais indicado. Utilizando aqui um proverbio do mundo da fotografia, câmera profissional é aquela que te permite ganhar dinheiro, independente do modelo, marca ou categoria.

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O segundo passo é decidir qual serviço fotográfico você vai vender. Profissionais iniciantes tendem a colocar quase tudo na prestação de seus serviços. Fotografamos de velório a desfile de modas (já ouvi isso de um fotógrafo). Sem especialização fica difícil decidir o que comprar, pois você precisa ter quase tudo. Mas, vamos imaginar que o fotógrafo vá focar em eventos (casamento e aniversário infantil), minha experiência mostra que a primeira coisa a ser comprada é a lente (depois de decidir com qual marca você vai trabalhar, é claro). Vejo muita gente cometendo o erro de investir muita grana na câmera e utilizando uma lente mediana. Se quer entregar um serviço bacana, a lente é a primeira preocupação. Nitidez e abertura de diafragma devem ser levados em conta. Indicaria, claro, a 24-70mm f/2,8, uma lente versátil que se encaixa em várias necessidades. Não tem grana para esse investimento? Então caia nas lentes fixas com abertura f/1,8. Vai manter a qualidade, grande abertura de diafragma, mas vai ter que aprender a viver sem o zoom ótico (tem gente que se arrepia só de pensar nisso).

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Depois de escolhida a lente, vamos para o segundo ponto principal na montagem do seu equipamento. Ter um flash é ótimo, ter dois é maravilhoso, ter três é perfeito. Já que trabalhamos com luz, nada melhor do que ter a possibilidade de montar diferentes esquemas de luz em eventos. Mostra um diferencial e uma foto muito mais bonita. Interessante que sejam da mesma marca para poder trabalhar em sistema TTL. Lembrando também da necessidade de tripés para esses flashes. Se você chegou até aqui e não teve um infarto, então está na hora de pensar na câmera. Câmeras de entrada podem ser uma boa pedida se você ficou com pouca grana para investir. Mas, uma câmera intermediária como a D70 (Canon) ou D7100 (Nikon) seriam perfeitas para você não se preocupar com esse assunto por muito tempo. Assim que os primeiros trabalhos renderem, seria ótimo uma segunda câmera, mais simples, pois se a principal te deixar na mão você pode continuar o serviço e escapar de um belo processo por danos morais.

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Depois disso meu amigo, o esquema é estudar, estudar e estudar. Principalmente composição, enquadramento (existe muita diferença entre os dois conceitos) e, se você quiser realmente impressionar, comece a estudar arte, faça pintura, entenda como os grandes mestres representavam a luz. Não caia no erro de achar que sua fotografia é tão boa quanto o seu equipamento e, acima de tudo, mantenha-se humilde. O mundo não precisa de mais um fotógrafo estrela, nós precisamos de pessoas que levem a fotografia no coração e queiram constantemente se superar.

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