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Nova técnica para transporte de órgãos vivos quentinhos e pulsando

O maior problema com transplante de órgãos, depois de preconceitos medievais e egoísmo que impede mais doações, é a vida curta dos bichinhos depois que são retirados do doador. Agora isso vai mudar. Já está em testes com pacientes reais um sistema que mantém o órgão vivo, alimentado com sangue (isso ficou estranho), nutrientes e oxigênio, permitindo que durem muito mais tempo fora do corpo.

11/02/2014 às 14:56

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O transplante de órgãos, tornado viável com o desenvolvimento dos imunossupressores é talvez uma das maiores contribuições da ciência. Infelizmente, por motivos que vão de puro egoísmo à devoção a crenças da Idade do Bronze, milhões de órgãos doados são jogados fora. Pulmões como o do gif acima viram comida de minhoca ou carbono pra irritar o Al Gore. Neste exato momento há 121.105 pacientes nos EUA esperando por um pulmão. Entre janeiro e novembro de 2013 foram realizados 26.514 transplantes. A lista de doadores no mesmo período ficou em 12.991.

13 mil doadores. Em 2010 nos EUA morreram 2.468.435 pessoas. Menos de meio porcento fez algo de útil com o próprio corpo depois da morte.

Portanto é muito, muito imperioso que os raros órgãos doados sejam aproveitados ao máximo. Isso inclui redes nacionais de transplantes, identificando compatibilidade entre doares e receptores, legislação específica que permite inclusive a aviões civis levando órgãos pousarem em bases militares e cooperação da Força Aérea, que mais de uma vez mobilizou caças para transportar órgãos.

Mesmo assim não é o suficiente. No momento em que é retirado do corpo o órgão começa a morrer. Pulmões estão entre os mais afetados. Lugares remotos como Hawaii acabam sofrendo por não conseguir fazer parte da rede principal de transporte. Felizmente há uma solução a caminho.

Uma empresa chamada TransMedics desenvolveu o Organ Care System, um sistema onde um órgão a ser transplantando é ligado a um coração-pulmão artificial, que circula sangue de verdade, com nutrientes pelo órgão.

No caso de pulmões um sistema de bombeamento força o movimento de respiração, para evitar danos causados pelo colapso das paredes do bicho.

O órgão fica vivo por muito mais tempo, podendo inclusive receber drogas e nutrientes até ficar forte o bastante para o transplante. Parece ficção científica? Bem-vindo ao futuro.

O equipamento custa caro, comparado com uma caixa de isopor com gelo seco dentro, mas vale o preço. Por enquanto está em testes, em oito hospitais entre EUA e Canadá, e já está salvando vidas. 12 pacientes transplantados usaram o OCS, e agora testes serão feitos com mais 250.

Claro, colocar órgãos em caixas não é exatamente novidade, Justin Timberlake já cantou essa pedra faz tempo.

Transplant

No episódio S08E02 de House um paciente precisa de um transplante de pulmão, mas o órgão doado adoece. Colocado em um respirador artificial (sem fluidos, sem sangue, mas tudo bem, Hollywood) o pulmão é tratado e o paciente salvo. O Organ Care System permitirá fazer exatamente isso.

Fonte: NPR.

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