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O que incomoda mais nos games, o sexo ou a violência?

Você já reparou como as pessoas parecem se incomodar mais se seus filhos estão vendo conteúdo sexual nos games do que violência? Autor trata sobre o assunto em interessante artigo.

03/02/2014 às 14:30

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Há muito deixou de ser novidade os videogames conviverem com acusações de que são formadores de psicopatas, o que aparentemente não tem feito com que as desenvolvedoras deixassem de abordar o assunto, mas você já reparou como o sexo ainda é um tema que muitos estúdios evitam tratar em seus jogos?

Pois o assunto acabou virando um excelente artigo publicado Rory Appleton no blog Corrupted Cartridge, onde o autor questiona a hipocrisia dos americanos (e porque não, dos brasileiros?) que não parecem se incomodar em ver pessoas desmembradas em games e filmes, mas se mostram profundamente ofendidas ao assistir um casal fazendo sexo ou até com um personagem que apareça despido na tela.

Appleton toca num ponto interessante e que sempre defendi, que é o conteúdo sexual não ser utilizado gratuitamente, mas que é inegável que em determinados momentos ele se faz necessário para incrementar a história, mas mesmo assim os envolvidos na criação e principalmente o órgão responsável pela classificação etária - a ESRB - parece não levar isso em consideração ao avaliar um título, praticamente exigindo que os estúdios removam qualquer conotação sexual para que a criação não recebe o temido selo “Adults Only”.

O motivo para as editores evitarem tal classificação é que as vendas podem sofrer duramente por causa dela e como bem lembrou o autor, o curioso é que mesmo tendo cenas grotescas de violência, muitos jogos acabam escapando da censura, mostrando assim uma sociedade que não se incomoda se seus filhos estão vendo uma pessoa sendo decapitada, mas que não aceita eles assistirem uma relação sexual.

Um exemplo citado por Appleton foi o Beyond: Two Souls, título que acabou sendo atacado nos Estado Unidos graças a representação de uma tentativa de estupro e por a protagonista dormir com um colega de trabalho, ambas as cenas sem nenhuma nudez e embora a morte de centenas de crianças na Somália seja retratada no game, os críticos parecem ter se incomodado mais com o outro “problema”.

Para encerrar, deixo um trecho do artigo, onde o autor diz que “quando eu era criança, sabia que assistir um filme onde duas pessoas tirariam suas roupas me colocaria em muito mais problemas do que assistir um filme onde uma pessoa cortasse a cabeça de outra. Espero que essa visão mude conforme minha geração comece a criar seus filhos, mas não tenho muita fé de que isso acontecerá.

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