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Aerie Real - fotografia de publicidade sem photoshop

Seguindo uma tendência dos países civilizados, a fábrica de lingeries Aerie lançou uma campanha publicitária onde as fotos não passaram por processo de pós-produção. O objetivo é valorizar a mulher real. Será que vai pegar?

22/01/2014 às 14:35

Mais um capítulo nesta discussão que, em terras tupiniquins, parece não ter nenhum efeito. Pelo menos eu não vejo nenhum movimento neste sentido. Existe uma preocupação cada vez maior, em países civilizados, quanto a quantidade de pós-processamento digital aplicados em fotos publicitárias. Essa preocupação fica maior ainda quando se tratam de produtos ou serviços direcionados para adolescentes. A base desta preocupação está ligada a pessoas que aparecem nestas campanhas publicitárias com corpos perfeitos, em grande parte por conta de mecanismos de edição, e que possam influenciar esses adolescentes a buscar uma forma física perfeita, que na realidade, não existe. Já trabalhei com esse tipo de campanha e, mesmo antes da existência do Photoshop, temos que ter em mente que isso é fantasia utilizada para vender conceito, e não apenas produtos. Claro que nos tempos do Photoshop a quantidade de edições e transformações mágicas atingiram um nível nunca visto antes na história, mas ainda me espanta o quanto uma pessoa comum pode ser influenciada por uma campanha publicitária nitidamente baseada na fantasia visual (e um pouco de falta de noção de quem faz a edição, como no caso da Susana Vieira)

Uma prova deste movimento é a Verily Magazine que surgiu para brigar no mercado de moda e tendência para mulheres com idade entre 18 e 35 anos, o segmento que mais utiliza de edição nas imagens de suas matérias e na publicidade. Mas, a Verily tem uma política de valorizar a mulher real, mesmo que ela não seja perfeita. Tanto que o slogan da revista é "Menos de quem você deveria ser, mais do que você é." Essa abordagem também se aplica a todo material publicitário divulgado na revista. Pode parecer um direcionamento perigoso no mercado editorial, mas existem pessoas que apoiam essas iniciativas e, com certeza, muita gente vai começar a perceber que o real pode ser tão atraente quanto o fantasioso. Outra prova do movimente, e pegando carona nessas novas abordagens, temos a fábrica de lingeries Aerie, que tem em seu público consumidor mulheres com idade variando entre 15 e 21 anos, justamente a faixa etária mais bombardeada por imagens "photoshopadas". Toda a campanha possui o slogan “Time to Think Real, Time to Get Real, No Supermodels, No Retouching, Because… The Real You is Sexy.” E, por mais que isso fuja do padrão da indústria da publicidade, tudo ficou muito bacana, descolado e com uma abordagem realmente jovem. Para ver um pouco do que rolou nos bastidores da campanha a empresa liberou um vídeo feito pelo artista John Urbano.

É um trabalho revolucionário? Não, mas eu gostei. Como fotógrafo eu gosto da iniciativa, pois é possível fazer belos retratos com luz e maquiagem profissional, mas sem a necessidade de uma intervenção radical no pós produção. Que fique claro que não tenho nada contra a pós-produção, pois é parte importante do processo de criação da fotografia. Mas, existem exageros que deveriam, e podem, ser evitados. Além do mais, toda mulher possui sua beleza, e compete ao fotógrafo descobrir isso. Veja mais sobre a campanha da Aerie clicando aqui.

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