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Tradutor é impedido pela Nintendo de escrever livro sobre localização de EarthBound

Marcus Lindblom, tradutor de EarthBound queria publicar um livro contando o processo de localização do game, mas a Nintendo não deseja que ele seja lançado

18/01/2014 às 18:30

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EarthBound é uma das pequenas jóias dos videogames. Um RPG de visual simples mas com história tão profunda que cativou tantas pessoas ainda continua a fascinar tantos anos depois, e não é para menos que a Nintendo resolveu relançá-lo para o Wii U digitalmente.

Entretanto, uma das coisas que os fãs sempre quiseram era saber mais da produção do game criado por Shigesato Itoi e produzido pelo atual CEO da Nintendo Satoru Iwata, que na época trabalha na HAL Laboratory, responsável não só por Mother como pelas franquias Kirby e Super Smash Bros. O tradutor Marcus Lindblom, responsável por localizar Mother 2 para o ocidente já contou algumas das curiosas decisões que ele teve de tomar sem a supervisão de Itoi, de modo a tornar o game adequado ao ocidente (como remover referências religiosas e outras coisas), só que ele decidiu que os fãs mereciam saber tudo sobre seu jogo favorito.

Por isso ele escolheu o movimento mais óbvio, que era escrever um livro contando sua experiência, sendo essa até uma forma de responder ao carinho dos jogadores fãs de EarthBound. O plano consistia em lançar uma campanha no Kickstarter de modo que a comunidade ajudasse a cobrir os custos de publicação. Entretanto, antes que pudesse iniciar o projeto ele escreveu uma carta à Nintendo de forma cortês, explicando seus planos e para garantir que não haveria problemas.

Só que houve, e dos grandes: a Nintendo lembrou Lindblom que ele assinou um NDA (non-disclosure agreement, contrato de não-divulgação) que cobre todo o período em que ele trabalhou para a companhia e se estende por tempo indeterminado, e ele poderia ser legalmente penalizado caso resolvesse publicar sua obra. Infelizmente ele acatou a recomendação e engavetou o projeto.

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Em entrevista Lindblom disse estar desapontado, entretanto não quer fazer nada que desagrade a empresa que permitiu a ele entrar no mercado de games; já a comunidade de fãs não digeriu a notícia. A verdade é que a Nintendo é uma empresa tradicional ao extremo, que controla suas propriedades intelectuais com mão de ferro. Mesmo a possibilidade de um produto baseado num game lançado há quase 20 anos é o suficiente para disparar todos os alarmes no departamento jurídico, que cai matando em cima de quem for. Basta ver as últimas atitudes que ela tomou contra os YouTubers e a EVO, além de sua posição oficial a respeito dos emuladores.

Mesmo a afirmação de Lindblom que ele desejava apenas prestar tributo aos fãs de EarthBound e não fazer dinheiro com o livro não convenceu a Nintendo a liberar a obra, e ela própria não tem o menor interesse de levar essa história a público. Em muitos aspectos a Big N é como a Disney onde "quebrar a magia" é proibido, qualquer coisa a respeito dos bastidores da empresa fica guardada em um baú trancado a sete chaves com o Bowser sentado em cima. Lindblom não acredita que a Nintendo tenha algo a esconder, ela só não tem o interesse em contar essa história. Ele pretende continuar mantendo o contato com os fãs, mas infelizmente o projeto de um dia vermos todo o processo de localização de EarthBound imortalizado em nossas estantes se perdeu.

Como era de se esperar, a Nintendo se recusou a comentar sobre o assunto.

Fonte: Polygon.

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