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Tesla: quando um recall não é um recall, mas é um recall

Quando um recall não é um recall mas é um recall? Quando a Tesla detecta um problema, resolve remotamente via upgrade de software, comunica ao Governo dos EUA e ganha de brinde um alerta oficial de Recall. Um mês depois. Na briga burocracia estatal vs carros do Século XXI, Elon Musk está deixando de ser Tony Stark e se tornando Don Quixote.

17/01/2014 às 18:01

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Existe um comportamento da grande mídia que é interessante: ao mesmo tempo em que adoram denunciar as grandes corporações, demonizam qualquer empresa com mais de 5 funcionários. Ou seja, ao mesmo tempo em que atacam bravamente o status quo, a mídia se torna inimiga ferrenha de qualquer um que desafie esse mesmo establishment.

Os mesmos jornais que atacam a Shell e a GM escolheram a Tesla como Judas. Publicam notícias fora de proporção, como os TRÊS acidentes com princípio de incêndio envolvendo carros da empresa. Na prática equivale quase a soltar o carro de órbita, ele se espatifar e pegar fogo, algo normal dada a força do impacto. Na mídia, carros elétricos viraram armadilhas mortais, análogos a uma cadeira-elétrica na chuva.

O medo do novo é geral, como descobriu a Tesla, na pior maneira. Desconfiados que as tomadas residenciais nos EUA podiam não aguentar a carga puxada por um Tesla plugado na parede, fizeram testes e descobriram que havia uma possibilidade, dadas as circunstâncias ideais (Murphy) de uma tomada esquentar, derreter e pegar fogo.

Qual a solução? Bem, a Tesla é uma empresa do Século XXI, resolveram o problema com… updates. Os carros são conectados à internet, então remotamente subiram um patch e agora se o sistema detecta uma variação de corrente muito grande, diminui a quantidade de energia exigida da tomada. Também enviaram aos usuários (o Tesla é tão avançado que não tem compradores, tem usuários) um adaptador para a tomada, usando uma tecnologia avançadíssima chamada… fusível.

Por Lei a Tesla é obrigada a comunicar esse tipo de modificação ao Governo, e foi o que fez, em uma carta. No dia 12 de janeiro um documento foi tornado público pelo National Highway Traffic Safety Administration, detalhando o caso. No dia 13 o mesmo órgão PUBLICA UM RECALL para 29.222 Teslas.

Só que… um recall que não envolve ir na concessionária. Um recall que consiste em um update que foi distribuído um mês atrás e um adaptador com efeito basicamente psicológico, que já deve estar nos correios.

Elon Musk, compreensivelmente ficou put—irritado, e fez o que todo mundo faria: foi xingar muito no Twitter.

tony

Agora o melhor: ele botar a boca no mundo E apresentar resultados de vendas acima das projeções fizeram com que o Recall Que Não Existiu tivesse efeito zero. As ações da Tesla Motors subiram 10% no dia.

A afirmação de Musk, de que o termo Recall precisa sofrer um Recall faz sentido. O conceito em si é ultrapassado. Quando a Microsoft lança uma atualização de segurança do Windows ninguém chama de recall. Mesmo quando alguma falha grave no iOS é detectado e um bacalhau de emergência é disponibilizado, não há recall.

Carros hoje (carros de verdade, não as carroças brasileiras) são essencialmente software. Um F-22 tem 1,7 milhão de linhas de código em seus sistemas embarcados. Uma Mercedes SLR, 20 milhões. Coisas como controle de tração, navegação, performance, estabilidade, suspensão, é tudo software.

Recall faz sentido na parte mecânica, não dá para tratar software da mesma forma. É inclusive um desperdício de oportunidade engessar assim o processo. A capacidade da Tesla, de atualizar o carro remotamente é excelente. Isso deveria ser incentivado, e não punido com avisos de recall. Mais carros deveriam estar online, com mais aplicações e mais sensores.

Os fabricantes insistem em interfacear iPhones e transformar US$ 40 mil de tecnologia automobilística num alto-falante. Faria mais sentido que uma tela transparente no para-brisas me avisasse que há um Rolezinho no shopping por onde vou passar, então é melhor seguir pela rota alternativa, pois a essa hora os black blocs já foram embora e ainda está na metade do 1º tempo, então dá pra passar sem encontrar os torcedores do Botelexfree e — OK, melhor ficar em casa.

Fonte: BT.

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