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Intel colocando logo em máquinas imaginárias. Marketing? Talvez não.

Quando você usa um serviço de virtualização em nuvem, importa aonde as máquinas estão? Importa qual plataforma estão sendo executadas? Pois é, parece que pra muita gente importa, e a Intel e a Amazon estão divulgando essas informações. Há quem não goste, há quem diga que nuvem é nuvem e deve ser agnóstica. Outros preferem que sua nuvem tenha bases sólidas. Quem está certo? Não importa!

15/01/2014 às 12:00

intel

Nos longínquos tempos em que eu trabalhava em agência numa roda de chopp num brainstorm surgiu a questão do anúncio mais cabeludo que alguém já fez. O vencedor foi um sujeito que teve que criar peças para vender o Ossário do cemitério Jardim da Saudade.

Depois disso até energia nuclear parecia fácil, mas pensando bem, muito mais cabeludo foi o briefing que caiu no colo do publicitário que teve que vender microprocessador pra público leigo.

A maioria das pessoas tem um vago, remoto conhecimento sobre o que acontece dentro de seus computadores.

Durante muito tempo a resposta-padrão para “qual a marca de seu PC” era “Samsung”. Amigos que tinham oficinas reclamavam de clientes que levavam o computador pra consertar: teclado, monitor e mouse. A CPU? Não achavam importante.

Mesmo assim a Intel conseguiu popularizar seu nome, e no varejo “O Processador é Intel?” é uma frase ouvida com frequência. Dá pra dizer que a Intel é a FriBoi das CPUs.

No mercado profissional também há essa segmentação, as empresas disputam quase na base da bala os clientes, mas como fazer quando a moda agora é virtualização? Faz diferença emular um processador Intel, Atom ou AMD? Segundo Alan Turing, qualquer computador é capaz de emular qualquer outro computador. Sai o hardware, ficam as idéias, os conceitos. Um Intel Xeon é um chip ou uma idéia? Se eu tenho uma emulação em software que produz resultados indistinguíveis de um Xeon “de verdade”, como dizer que ali não é um Xeon?

Some a isso os servidores usarem em sua maioria chips Intel, e temos um caminho perfeito pra campanha, a Amazon aproveitou a deixa. Agora divulga que suas máquinas virtualizadas na nuvem rodam em plataforma Intel.

Nem todo mundo gostou. Andre Feldman, da Divisão de CPUs para servidores da AMD soltou o verbo:

É um esforço fútil que vai contra o benefício fundamental da Nuvem.”

Ele fala do agnosticismo do Hardware, da idéia de que não interessa o que há do outro lado, que apenas… funciona. Em teoria sim, não deve importar, mas na prática o consumidor quer sim saber o que está mantendo o negócio dele em pé (na maioria dos casos, Viagra, mas divago).

Uma vez um usuário ligou para um provedor onde eu trabalhava. Queria saber qual sistema operacional nós usávamos.

“Bem, senhor, aqui nós temos servidores Novel Netware, e toda a parte web roda em OS/2.”

“Pois eu li que o Windows 95 é o sistema mais seguro e moderno do mercado. EXIJO que vocês troquem pra ele.”

“Muito bem, senhor, mais alguma coisa?”

Ou seja: não é que o cliente tenha sempre razão, não tem, mas às vezes é melhor você deixar que ele ache que venceu, então anunciar que sua infraestrutura roda sob determinada arquitetura vai sim contra o conceito de nuvem, mas agrada ao consumidor, então, que me desculpe o carinha lá da AMD, mas vale mais que paga o leitinho das crianças.

Fonte: W.

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