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A dura guerra contra as superbactérias

Entenda a difícil batalha que os cientistas têm travado contra bactérias cada vez mais resistentes

10/01/2014 às 9:45

antibiotics

Até o desenvolvimento dos antibióticos, qualquer infecção poderia ser fatal. Um ferimento no dedão do pé mal cuidado poderia ser suficiente para mandar qualquer um para a vala em pouco tempo. A penincilina, o primeiro antibiótico empregado em massa de sucesso a partir dos anos 40 (pois é, história recente) foram cruciais para o aumento da expectativa de vida humana.

Entretanto o que nos ajudou acabou por criar um problema dos grandes. Quando utilizados do modo correto os antibióticos são capazes de exterminar as bactérias e reduzí-las a um número inferior ao quorum sensing, onde elas não são capazes de disparar o processo infeccioso e seriam posteriormente eliminadas pelo organismo. As coisas se complicam quando introduzimos o fator da auto-medicação e o uso indiscriminado na agricultura e pecuária, para garantir a produção de alimentos. Muitas pessoas costumam utilizar remédios para tratar problemas aos quais são completamente inócuos como gripes, resfriados e outras infecções virais, ou realizam tratamentos contra doenças causadas por bactérias de forma incompleta: o abandono do tratamento contra a tuberculose, que exige seis meses de comprometimento por parte do paciente aos primeiros sinais de melhora é o mais comum.

O que acontece é que ao expor o organismo ou o ambiente a doses insuficientes de antibióticos acabamos por selecionar cepas de bactérias mais resistentes. Graças a sua alta taxa de reprodução surgem em pouco tempo mutações que podem ser resistentes à dose gradual. As mais fracas morrem e as mais fortes resistem. Ao serem expostas a doses graduais as linhagens vão sendo selecionadas numa velocidade muito maior do que seriam em modo natural. Acabamos por acelerar o processo da Seleção Natural e criamos superbactérias, algumas tão resistentes que nenhum antibiótico a disposição do público funciona.

Dentre as criações humanas destacam-se a Staphylococcus aureus resistente à Meticilina e a E. coli, esta última presente em todos os seres humanos e normalmente inofensiva, mas já foram identificadas cepas resistentes a diversos antibióticos, inclusive algumas resistentes a mais de um medicamento. Já há casos confirmados na Europa de uma super tuberculose, resistente ao tratamento principalmente devido a imprudência de não seguí-lo até o fim. Por sorte (ou não), a maioria das superbactérias são restritas a hospitais e em caso de infecção são tratadas com antibióticos fortíssimos (leia-se tóxicos) que não podem ser vendidos por serem nossa última linha de defesa.

Não que os cientistas estejam parados. Recentemente pesquisadores da Universidade de Tel Aviv isolaram uma proteína capaz de matar bactérias, produzida por um vírus que se utiliza delas para se reproduzir. Esses "bacteriófagos" são a forma de vida mais abundante da Terra, superando as bactérias em dez para uma. Utilizar ferramentas naturais pode ser a chave para superarmos as superbactérias.

Aproveite e ouça o décimo primeiro episódio do #SciCast, com a primeira aula onde abordamos o tema.

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