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Teclado Bluetooth de ZX Spectrum para iPad

Um grupo de entusiastas (que é fanboy, no bom sentido) está com um projeto no mínimo curioso: querem criar um teclado Bluetooth baseado no ZX Spectrum, um dos primeiros microcomputadores acessíveis e funcionais. Saudosistas adorarão, já saudosistas com memória ainda não totalmente comida pela demência senil dirão “obrigado, mas não obrigado”.

06/01/2014 às 12:00

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De todos os computadores que passaram pela minha vida o primeiro a ter alma foi o ZX Spectrum. O bichinho tinha personalidade. Nem quando foi kibado descaradamente pela Microdigital, e lançado aqui como TK90X (viva a Reserva de Informática. Valeu, Dilma!) ele deixou de ser o Spectrum. Com 49 kB de RAM, que equivalem a pouco mais da metade dos bytes da foto acima, ele fazia mágica, com direito até ao VU3D, uma espécie de 3D Studio com graves restrições orçamentárias mas que faziam shading e animações.

Eu amava o Spectrum, mesmo torturando-o, deixando o bicho aberto, com um ventilador em cima, 48 h gerando uma fractal.

Agora o Spectrum está de volta, fisicamente. Um pessoal está com um projeto no Kickstarter para criar um teclado Bluetooth para iPad com o formato e funcionalidade do original. Segundo o site do projeto o teclado será compatível com os emuladores e jogos da plataforma disponíveis na iTunes Store e futuramente no Google Play.

Os saudosistas estão pulando de alegria, mas sinceramente não me animou. Entenda: eu amo o Spectrum, foi parte fundamental de minha infância, aprendi a programar nele e no CP-200, mas como dizem em Frozen, o passado está no passado. Na época era maravilhoso um jogo com projeção isométrica, tipo Knightmare, ou um simulador de vôo espacial em Wireframe 3D como Elite, mas hoje? Não me vejo jogando nada assim:

Principalmente, o teclado do ZX Spectrum era uma maravilha de engenharia em sua época, igual à Apollo 11, mas hoje ninguém em sã consciência entraria naquela armadilha mortal. O Spectrum tinha 40 teclas, uns 8 shifts e 89.321 combinações. Você não digitava comandos, cada um deles era fruto de uma combinação de até 4 teclas.

Mais ainda: o teclado chiclete era uma boa porcaria pra digitação. Hoje no iPad uso um teclado Bluetooth da Apple, o mesmo que recomendam para MacBooks. Voltar a usar o Spectrum para escrever me atrai tanto quanto voltar a acreditar em Friendzone.

Faltando 26 dias, o projeto já conseguiu 50% das 60 mil libras esterlinas almejadas. Pelo visto há muito saudosista por aí. Prefiro que o Spectrum viva em minhas memórias, até o dia em que serão perdidas, como lágrimas na chuva, e não lágrimas de raiva tentando lembrar a combinação pro UDG de “ç”.

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