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Não se faz mais Expedição Perdida como antigamente

O futuro chegou. Agora vivemos em uma época onde um navio russo está preso no gelo na Antártica e nós podemos acompanhar ao vivo, via Twitter, enquanto jornalistas e passageiros conversam com o Mundo.

30/12/2013 às 14:00

caveirasemfaca

Em 1845 partiu da Inglaterra uma expedição para mapear a Passagem Noroeste, que permitiria a navios percorrer o topo da América do Norte, cruzando do Pacífico para o Atlântico. Essa expedição foi comandada por Sir John Franklin, veterano de outras 3 expedições à região. Com 2 navios e 128 homens, logo a viagem se transformou em desastre.

Encalhados no gelo, todos os homens morreram de hipotermia, escorbuto, fome e envenenamento por chumbo, das latas de comida. Ah, também acharam sinais de canibalismo. Em 1848 lançaram uma primeira expedição de resgate. A busca durou até 1850, quando uma frota de 13 navios procurou até achar as sepulturas de alguns dos tripulantes. Durante 5 anos ninguém soube deles. Expedições mais recentes acharam inclusive corpos perfeitamente preservados de vários tripulantes.

Hoje estamos vivendo algo (remotamente) semelhante. O navio russo MV Akademik Shokalskiy, com 74 cientistas, tripulantes e passageiros ficou preso no gelo, dia 25 de dezembro, durante uma viagem à Antártica. O clima está cada vez pior, a civilização mais próxima é a base francesa a 100 milhas de distância, e, pra piorar, o quebra-gelo chinês enviado para resgatar o MV Akademik Shokalskiy ficou preso no gelo também.

 MV Akademik Shokalskiy

MV Akademik Shokalskiy

A Austrália enviou o Aurora Australis, um navio de suprimentos que também é quebra-gelo, mas as últimas informações são de que o navio chinês foi resgatado mas ambos se afastaram do russo. Talvez seja preciso abandonar o navio e transportar os passageiros de helicóptero.

Esse drama digno de um bom filme (ou um filme ruim muito melhor, se for do John Carpenter) está sendo acompanhado em tempo real, vários jornais e sites de notícias estão suprindo informações, mas há uma sensação de anticlimax, não é mais uma aventura grandiosa como a expedição de Franklin. O motivo? Veja como as informações estão chegando:

tuiteirosdogelo

O Guardian e outros jornais têm equipes na expedição. Eles vão pro convés, acionam seus telefones de satélite e enviam direto… pro mundo.

Um deles é Laurence Topham, produtor e jornalista contratado pelo Guardian para alimentar o perfil de Twitter @GdnAntarctica. Laurence também tem um perfil pessoal, que tuita direto todo o terrível drama de estar preso no gelo, com acesso à internet.

E sim, eles também mandam vídeos, devidamente editados em um Mac. Neste abaixo mostram como enviam as informações para a matriz:



Eu acho maravilhoso viver no futuro, lemos twits ao vivo de astronautas e viajantes nos confins da Terra, mas meu lado romântico em parte lamenta. Esse tipo de acesso à informação “humaniza” demais as pessoas. Nunca mais teremos grandes nomes como antigamente, nenhuma expedição será mais tão épica, não há mais mistério.

Imagine Pero Vaz de Caminha ao invés de carta, mandando tweets do Descobrimento:

@dManuel carai, véi, mulherada anda pelada e nem liga se a gente olha. twitpic.com/cerradinhas.jpg #NSFW

Mesmo assim, ainda prefiro o futuro.

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