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iCubano? App Mobile para consulta remota com médicos de verdade

A comercialização da medicina atingiu outro patamar. Uma startup americana lançou um app onde você paga US$ 40,00 e se consulta, via vídeo com um médico de verdade, que pode até te receitar remédios. As chances disso dar errado são… imensas.

11/12/2013 às 17:15

Dr. Nick Riviera billboard (The Simpsons)

Uma vez sugeri a uma médica fazer um blog comentando episódios de House, como o excelente Polite Dissent, onde o autor não só trata de medicina em seriados como em quadrinhos, mas sem a arrogância típica de quem não gosta. Ele é fã, mostra onde há erros, acertos e divaga até sobre a fisiologia do Flash.

Ela me explicou que não era uma boa idéia. Seu humilde bloguinho, onde comentava o cotidiano, falava de questões relacionadas a sua área havia sido flaggeado pelo Conselho, com direito a e-mail cheio de ameaças e regrinhas a cumprir. Não poderia nunca jamais consultar online, não poderia anunciar seus serviços, precisava postar dados reais, inclusive CRM e endereço, e por aí vai.

Por um lado soa exagero, por outro é uma medida preventiva para evitar charlatanismo, picaretagem e outros esquemas. Fazer um diagnóstico online na maioria dos casos beira a irresponsabilidade, exceto no caso de Lúpus. Há uma infinidade de detalhes e observações que um médico competente precisa ter acesso antes de dizer qual o problema do sujeito. E nem vou entrar na área psiquiátrica, mais complicada ainda.

Olivia-Wilde-Wallpaper-2

Nota: aqui era pra ter entrado uma tela do aplicativo, mas era uma imagem genérica tipo Skype com um médico de fotos de arquivo e, bem… Olivia Wilde.

Aí me vem uma tal de Doctors On Demand onde por US$ 40,00 você compra uma consulta de 15 min com um médico, via smartphone. Pode mandar fotos daquela pereba, explicar a tonteira e até descobrir que o inalador de asma não está funcionando pois você é um imbecil e aplica no pescoço, como desodorante (caso real, não foi só em House).

Na África há ONGs com programas semelhantes, mas lá enfermeiros e técnicos de saúde se comunicam com médicos treinados, e são a única opção daquela gente.

Trazer isso para o ocidente é algo que pode ser muito, muito perigoso. Mesmo assim a startup já conseguiu US$ 3 milhões de investimento, e está captando médicos, com a promessa de ganhos anuais de US$ 200 mil. Duvido. Vão faturar muito mais, pois o projeto prevê que eles prescrevam RECEITAS online.

Isso mesmo, Vicodin pra galera, e nem é da chinesa.

Felizmente isso não chegará aqui, onde por mais bagunça que seja, a comercialização da medicina não é o oba-oba dos EUA. Que venham os projetos sérios, como o do Hospital Israelita Albert Einstein, que em conjunto com o Ministério da Saúde tem um piloto onde especialistas orientam médicos de unidades menores e remotas.

Internet não é lugar para buscar diagnóstico, até porque, se você colocar seus sintomas no Google em 100% dos casos o diagnóstico será câncer.

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