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O Design da Ponte que Partiu

Existe algo que separa adultos de crianças, no mundo do design. Crianças desenham naves espaciais movidas pela imaginação, adultos projetam naves espaciais de verdade. Na Internet isso fica meio nebuloso, pois o pessoal aplaude qualquer bobagem inviável se parecer bonitinha. Para variar, achei um design inovador, ousado, bonito e que virou um produto de verdade, no caso uma ponte futurista na Inglaterra…

06/12/2013 às 17:50

pontedomal

Quem me acompanha sabe que estou em uma cruzada pessoal eterna contra designers deslumbrados, gente que nem curou o porre comemorativo de ter passado no vestibular, já se acha o novo Jon Ive, que Bauhaus era overrated e que o design vai salvar o mundo. Ah, e que Giugiaro é Satã por projetar supercarros, ao invés de veículos ecológicos para salvar o planeta.

Esses proto-estudantes de design agrícola (vem bem antes do design industrial) criam “soluções” sem se preocupar com viabilidade técnica ou mesmo se elas funcionam em um Universo com as nossas Leis Físicas. Aí temos bicicletas “conceituais” que flutuam no ar, carros projetados por gente sem o conceito de, bem, nada e uma geladeira que usa um gel mágico para preservar frutas e legumes. Esse gel não só não ficará sujo com cascas, folhas e pedaços de comida. Ele também violará algumas Leis da Termodinâmica, sendo uma superfície exposta que se manterá mais fria do que o resto do ambiente, sem dispêndio de energia. Sim, o gel mágico esfria os alimentos SEM usar qualquer fonte de energia E mantém o gel na posição, apesar da gravidade.

Esse tipo de conceito é lixo. É diferente de inovação real, que respeita as Leis do Universo. Inovação é você projetar o corpo de um avião supersônico mesmo sem os motores existirem, mas sabendo que são viáveis. Bobagem é projetar uma nave espacial e ficar sentado esperando os motores de dobra aparecerem.

Por isso é preciso bater palmas para as idéias ousadas e viáveis, como a ponte sobre o Rio Hull, na Inglaterra. Fica na cidade de Kingston Upon Hull, foi criada pelo escritório de arquitetura McDowell+Benedetti, tendo sido terminada em maio de 2013.

O projeto previa uma ponte móvel para pedestres, que não interferisse com a navegação. É um design mais que manjado, e há dezenas de alternativas seguras, mas os arquitetos resolveram inovar. Ousaram e transformaram o próprio ato da ponte abrir e fechar em uma atração turística.

A proposta, baseada em Engenharia de verdade, e não em Unicórnios como a maioria dos designs de Internet envolvia uma ponte giratória, segura e esteticamente atraente. Devo dizer que conseguiram, veja o vídeo:

Isso, meus caros, é trabalho de gente grande. O exato oposto desta bobagem aqui, uma “ponte” onde o espaço entre pilares é repleto de turbinas eólicas (forçando uma carga horizontal constante na estrutura), metade da pista é tomada por estufas, transformando a ponte em uma via de mão única e – pior – o PISO DA PISTA é formado por coletores de energia solar, idéia clara de garoto criado em condomínio, que nunca olhou asfalto de perto e não sabe que ele tende a ficar sujo e marcado com borracha de pneus. Principalmente, precisa oferecer TRAÇÃO.

ponteburra

Mas, claro, sou eu que implico com os floquinhos designers…

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