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Projeto ALHAMBRA identifica e classifica mais de meio milhão de galáxias

O projeto ALHAMBRA divulgou nos últimos dias o resultado de um estudo que levou sete anos de observações para chegar aos primeiros resultados: 500 milhões de galáxias identificadas e classificadas individualmente. O estudo permitirá a reconstrução da história do universo nos últimos 10 bilhões de anos (dos estimados 13,8 bilhões que ele tem).

05/12/2013 às 14:45

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O estudo astronômico mais completo já produzido liberou dados que levarão anos para serem completamente interpretados.

A sigla é de arrepiar, tome fôlego: Advanced Large, Homogeneous Area Medium Band Redshift Astronomical survey ou ALHAMBRA para os íntimos. Este projeto, sediado no observatório de Calar Alto em Almería, Espanha, divulgou nos últimos dias o resultado de um estudo que levou sete anos de observações para chegar aos primeiros resultados: 500 milhões de galáxias identificadas e classificadas individualmente. O estudo permitirá a reconstrução da história do universo nos últimos 10 bilhões de anos (dos estimados 13,8 bilhões que ele tem). Uma trabalheira dos diabos se me permitem.

Não são só os resultados que são expressivos, o projeto de mapeamento ALHAMBRA mobilizou cientistas de dezesseis institutos de pesquisa, liderados por Mariano Moles (do CEFCA), centralizado no Instituto de Astrofísica de Andalucía (IAA-CSIC). Este esforço revelou-se decisivo para responder questões complicadas da cosmologia e da astrofísica e para isso usou uma técnica de mapeamento fotométrico, usado pela primeira vez nesta escala, através da utilização de um telescópio de 3,5 metros de diâmetro equipado com um sistema de vinte filtros que abrangem todos os comprimentos de onda e mais três filtros especiais para o espectro infravermelho. A análise da assinatura de luz emitida por cada uma das galáxias permite estimar sua distância porque todas sofrem uma deformação durante a medição, definido como “desvio para o vermelho” ou redshift.

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A imagem da esquerda é do projeto ALHAMBRA e da direita de um projeto anterior chamado SDSS. A evolução fica bastante evidente.

Momento Silmar babaca: não é difícil de entender, lembra quando você brinca com um prisma qualquer e separa a luz branca em um arco-íris? Então, em um extremo fica o vermelho e em outro o violeta. Quando a luz é divida, as cores com comprimento de onda mais curta (e com mais energia) vão em direção ao violeta e as com comprimento maior (e menos energia) para o vermelho. Quando a luz sai das galáxias ela demora um pouquinho para chegar até nós, já que ela viaja a uma velocidade de 9,5 milhões bilhões de km por ano (um pouco menos se a sogra estiver na carona) ou ano-luz, que é a nossa medida astronômica favorita. Um ano-luz é uma distância pequena (astronomicamente falando) mas imagine uma galáxia que está a 1 bilhão de anos-luz de nós. Neste período que a luz demorou para chegar até aqui, o universo continuou em expansão, o que quer dizer que o próprio espaço entre nós e a galáxia aumentou enquanto a luz viajava. O esticamento do espaço produz o esticamento da própria onda de luz e conforme ela se estica, o comprimento de onda aumenta em direção ao vermelho (tcha-nã).

Este foi o efeito que os cientistas usaram para determinar a distância entre as mais de 500 mil galáxias que o projeto ALHAMBRA reuniu em seu catálogo. A escala da pesquisa permite estudar como o conteúdo estelar das galáxias mudou ao longo do tempo e saber com mais precisão a idade de cada uma. Além disso, pode-se estabelecer uma relação mais clara entre a morfologia, o conteúdo das estrelas e a idade das galáxias, o que permitirá entender melhor quais são os processos físicos que governam o universo para estas escalas. A publicação dos dados significa que mais pessoas poderão ter acesso ao potencial da pesquisa, não só pesquisadores, mas também universidades, museus, associações astronômicas, escolas e entusiastas.

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