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Chicago Sun-Times faz acordo com fotógrafos demitidos

O Chicago Sun-Times decidiu entrar em acordo com os fotojornalistas demitidos, mas não é a salvação da categoria que vem assistindo o declínio dos postos de trabalho no mercado americano.

27/11/2013 às 14:55

Depois de causar polêmica ao demitir 28 fotojornalistas de sua redação e distribuir iPhones para seus repórteres fazerem a cobertura fotográfica das suas matérias, o Chicago Sun-Times finalmente entrou em um acordo, não muito generoso, com o Chicago Newspaper Guild, o sindicato dos funcionários da redação do grupo. Pelo acordo, o Sun-Times se compromete a recontratar 4 dos 28 funcionários demitidos e fazer pagamentos de US$ 2.000,00 para o restante. O tempo de vigência do acordo é de 3 anos e ele só vai ser colocado em prática se os ex-funcionários aceitarem assinar um termo onde vão desistir de futuros imbróglios judiciais contra o jornal. Porém, não ficou claro como vai ser decidido quais fotógrafos serão recontratados ou se o acordo vale para os 28 funcionários ou só para os 11 representados pelo sindicato. Outra dúvida cruel é que o acordo cita que os 4 fotógrafos serão recontratados pelo Sun Times Media e não, necessariamente, voltarão a trabalhar no Chicago Sun-Times. Ou seja, muitas incógnitas.

Segundo o Petapixel, essa não foi uma vitória dos fotógrafos, e sim apenas mais um capitulo da história de uma indústria que está brigando para se manter viável financeiramente. As estatísticas americanas mostram que 43% dos cargos de fotojornalistas em jornais americanos simplesmente desapareceu desde o ano 2000. Ainda existe a indicação de que, nesta década, ainda haverá um declínio de 30% nos postos de trabalho para fotojornalistas. Então a decisão do Sun-Times de obliterar todo um setor não foi uma coisa bizarra, mas o exagero de uma tendência que já existe. A decisão do jornal foi pagar cursos de fotografia com iPhone (sim, as principais escolas de fotografia americanas e europeias possuem curso de fotografia mobile) e passar a trabalhar com freelancers que recebem a média de US$ 60,00 por reportagem.

Pelo contato que tenho com as redações de jornais do interior, a fotografia digital trouxe, em um primeiro momento, uma grande economia para o setor de fotografia. Não era mais necessário um gasto com filmes fotográficos e revelações. Agora estamos vendo que o digital está trazendo a economia com funcionários. A imagem existe para ilustrar as matérias, mas não existe mais a preocupação com o conhecimento técnico. Entendo isso, pois cada vez mais o cidadão comum, acostumado com as fotos que faz em seu dia a dia, não se importam (ou não percebe) a diferença entre uma foto bem feita e outra realizada no automático. Sem dizer que agora temos uma multidão de “fotógrafos” espalhados pelos mundo com suas câmeras fazendo imagens dos fatos no momento em que eles acontecem. Muito mais fácil comprar essas imagens do que manter funcionários para correr atrás delas.

Esse será o fim do mundo? Não, apenas um momento de adaptação. Cada vez mais teremos menos fotojornalistas e quem está começando na fotografia vai procurar outras vertentes para atuar. A fotografia documental ainda vai existir e sem a necessidade de um curso de jornalismo para atuar. Mas, sempre ficamos melancólicos com o fim de uma grande vertente ou mudança em nosso modo de encarar algumas das realidades a que estamos acostumados.

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Fonte: Imaging Resource

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