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Cientistas desenvolvem queijos com micróbios humanos

Parte ciência, parte arte, conheça o projeto que coletou células de dedos, umbigos, pés e até lágrimas humanas para desenvolver queijos, em uma espécie de questionamento sobre a nossa relação com as bactérias e odores com os quais entramos em contato diariamente.

25/11/2013 às 15:30

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Comer lactações coaguladas de outros animais é um dos hábitos mais estranhos da humanidade e muitos de nós consumimos queijos derivados de vacas, cabras, ovelhas e afins. Se você não é fã deste tipo de alimento, este texto vai garantir que você jamais seja.

Como já passamos da hora do almoço no Brasil, eu lhes apresento a Selfmade: uma exibição de queijos, "cultivados" à partir de células coletadas em corpos humanos. Parte arte, parte ciência, parte falta de bom senso, isso é um trabalho da bióloga pós doutoranda Christina Agapakis e da professora Sissel Tolaas, da Universidade da Califórnia (UCLA), que recolheram amostras de micróbios de bocas, pés, dedos, umbigos e até lágrimas humanas, para elaborar um conjunto de 11 especiarias únicas, expostas como uma mostra de biologia sintética na Galeria de Ciência do Trinity College, em Dublin.

É, pois é... veja:

Agapakis, possivelmente uma colega de Bernadette Rostenkowski e Amy Farrah Fowler, estava interessada em promover a discussão à respeito de como nós interagimos com as bactérias no nosso dia-a-dia. Tolaas já trabalhava bastante com odores e se descreve como "uma profissional multidisciplinar", dada as interações de seus projetos com outros campos de atuação. E ela espera, vejam vocês, "desafiar essa história de que 'mal' cheiro deva ser desodorizado." Oookay...

"As pessoas têm uma mistura de repulsa e atração pelo queijo, e isso nos dá a oportunidade de ter uma conversa muito interessante sobre as bactérias e odores, e por que eles podem enojar as pessoas." - completa Agapakis.

As duas utilizaram hastes-flexíveis-com-pontas-de-algodão (espaço aberto para publicidade) para coletar bactérias de algumas pessoas, incluindo do umbigo do escritor e professor de jornalismo Michael Pollan, que foram cultivadas em placas de Petri, recebendo posteriormente a adição de leite para que os queijos fossem formados.

Embora cada um deles tenha recebido as bactéricas de apenas um doador, Agapakis diz que não saberia indicar de quem, apenas pelo cheiro do produto obtido. "Cada um deles tem um odor diferente, mas eu não sei se isso de fato remete ao cheiro da pessoa.", diz ela.

Para aqueles que consideram a ideia de beliscar o aperitivo, a bióloga lembra:

"Eu não sou uma fabricante profissional de queijos, então há um risco à saúde aqui." - Ah vá?! Não tem quem diga. Mas ela completa: "Não são queijos para consumo humano".

Bom, menos mal. Ainda assim, mesmo adorando ciência, participando inclusive um podcast sobre isso, preciso dizer que não é porque podemos fazer algo, que devemos fazê-lo. Cheesus!

Fonte: FastCoDesing.

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