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Resenha: Almost Human, nova série de JJ Abrams

A Fox (de lá) estreiou ontem a nova série de JJ Abrams, Almost Human. Em uma leitura apressada é um amontado de clichês, um seriado policial dos Anos 80 disfarçado de ficção científica, mas quer saber? Funciona, é um EXCELENTE policial dos Anos 80 disfarçado de FC.

18/11/2013 às 21:02

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Pacific Rim conseguiu um feito raro. É um filme totalmente inspirado em um monte de filmes, desenhos e seriados, mas não referencia diretamente nenhum deles. Almost Human, a nova série da Fox faz diferente. Deixa explícito todos os lugares onde bebeu, e crianças, como bebe essa danada. Do roteiro às locações, nos primeiros dez minutos lembramos de Total Recall, RoboCop, O Demolidor, Blade Runner, Eu Robô, Minority Report e mais uma penca de outras fontes. Tudo isso com o mais descarado clichê de uma dupla de dois tiras incompatíveis, tendo que trabalhar juntos.

Dito assim parece uma bomba, mas funciona bem bagarai.

A série se passa em 2048. Um futuro distópico, onde o crime se alastra pelo país, a polícia não consegue dar conta e cada policial tem um parceiro-robô.

Mais ou menos assim

O episódio-piloto começa já na adrenalina, com o detetive John Kennex (Karl Urban, excelente) no meio de um tiroteio com uma quadrilha usando armamento pesado. Um dos policiais é ferido, os robôs, obviamente não programados com as Leis da Robótica, não querem ir resgatar o oficial baleado, dizendo que não é lógico arriscar várias vidas para salvar uma só. Como o detetive Kennex não tem aquário em casa, não entende de lógica, vai assim mesmo, com um dos robôs.

Chegando no policial ferido, o robô escaneia, diz que é um ferimento mortal e quer ir embora (esses robôs vieram da filial francesa da OCP?). Keenex não aceita, começa a carregar o companheiro, quando um projétil explosivo o acerta por trás. Ele vê o amigo morto, percebe que perdeu a perna direita e os bandidos se aproximam. Jogam uma granada e ele acorda no cosultório de um médico ilegal. Se passaram 4 anos, sendo que desses, 17 meses ele ficou em coma. Keenex tenta procedimentos não-autorizados pra se lembrar do tiroteio, pois ficou com amnésia por stress pós-traumático.

Só que o sistema de previdência social (thanks, Obama) não aguenta manter ninguém aposentado.

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Ele não pode mais passar o dia inteiro se sentindo miserável e sofrendo com uma perna robótica que não funciona direito, por pura rejeição psicossomática. Sim, House, descarado. Ao mesmo tempo ele é levemente obcecado por Anna, sua ex-namorada, a quem fica o tempo todo assistindo em velhos vídeos.

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Como dá pra perceber as interfaces holográficas do ano 2048 não são Retina Display.

De volta ao trabalho ele é visto como um anacronismo, um tira complicado, de uma outra era (4 anos, uma eternidade) que acabará fazendo besteira e sendo expulso da força policial de San Angeles. E claro, ele com certeza não sabe usar as 3 conchas.

Seu primeiro ato é reclamar com a chefia, pois não gostou de ser obrigado a ter um parceiro-robô. É compreensível, os robôs-coxinhas da polícia lembram os policiais humanos d'O Demolidor. É, são ruins assim.

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Na primeira missão ele dá um jeito de eliminar o parceiro, em um “acidente” lindo. É obrigado a conseguir outro, mas só está disponível um modelo antigo, descontinuado por ser “maluco”. Um exemplar da série DRN, que na melhor tradição de Asimov, via “Dorian”.

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Lembre-se, é o futuro, então não há problema escolherem um robô de uma cor que em outras épocas garantiria que ele sempre seria parado em blitzes. O que não quer dizer que Dorian não vá sofrer preconceito, principalmente por parte de Keenex, que despreza robôs. Cof cof Eu Robô, Cof Cof Roger Rabbit.

A série Dorian não deu muito certo por ser um robô humano demais, com emoções, livre-arbítrio e personalidade, características que se mostram superiores. Não que Keenex ligue, inclusive chama Dorian de “Sintético”, mesmo depois de ele dizer que não gosta do termo.

Enquanto isso a tal quadrilha misteriosa está agindo pela cidade, cometendo crimes violentos, matando guardas de segurança e poluindo a imagem da bela San Angeles:

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Sim, eu sei, nenhuma cidade existente consegue mudar tanto em 35 anos, mas ei, é ficção.

Sem entrar em detalhes Dorian salva a vida de Keenex, a Quadrilha do Mal sequestra um policial, tenta invadir a chefatura atrás de algo muito importante, e a polícia nada pode fazer, pois usa carros de 35 anos no passado. Quando Robocop mostrou os policiais do futuro usando Ford Taurus, não estava tão errado.

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O episódio termina com Dorian e Keenex salvando o dia, e o humano aprendendo uma importante lição sobre amizade e lealdade. Sem esquecer da ex-namorada, que ele agora assiste em seu iPhone 18 com tela ultra-widescreen.

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Almost Human está soando para você como um seriado policial padrão dos Anos 80? Exato, é isso que ele é. Uma receita de Miojo, que tantas vezes matou sua fome sem surpresas, sem decepções. Karl Urban (Star Trek, Juiz Dredd, Riddick, Supremacia Bourne, Senhor dos Anéis) tem o talento dramático pra fazer o papel de tira durão atormentado sem se tornar uma caricatura. Isso é essencial, para a série não se tornar uma paródia de si mesma.

Michael Ealy, o androide Dorian tem uma carreira mais televisiva. Em termos de geek cred seu seriado mais famoso foi Flash Forward. Ele faz um robô com problemas que parece uma mistura de Marvin com Bender. Ele não gosta dos robôs mais modernos, e como todo autômato de ficção, sofre de Síndrome de Pinóquio. É responsável por boa parte do alívio cômico da série, além de servir como canivete suíço. Ele vai ter mais funções e dispositivos do que o KITT e o Bender juntos, podem anotar.

A fórmula/clichê parceiros incompatíveis criando um vínculo de amizade e respeito é super-batida, mas é usada por um motivo: funciona. O cenário de ficção científica abre espaço pra todo tipo de crítica social, e ainda há a bem-vinda novidade de ser a única série futurista onde o mundo (ainda) não está em frangalhos.

Almost Human dá a sensação de que você já viu esse filme, mas ao mesmo tempo, vale a pena ver de novo.

No Brasil Almost Human estréia dia 28/11, às 22:30 na Fox. Lá fora amanhã passa o segundo episódio. O primeiro já está disponível na locadora do Paulo Coelho.

O trailer:

New tv shows — Almost Human(TV series - 2013) - Trailer

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