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Mídia elege novo vilão: o carro elétrico da Tesla

A mídia, que cria e destrói coisas belas achou um novo vilão: os carros elétricos da Tesla. Não é uma conspiração, é apenas a boa e velha necessidade de achar vilões mesmo quando não são necessários. Leia e veja a injustiça que estão fazendo com Elon Musk, nosso Tony Stark favorito.

18/11/2013 às 1:40

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Apesar de ser vendido como idéia futurista, o carro elétrico antecede o de combustão interna. No começo do Século XX e final do XIX eles eram A solução. Os veículos com gasolina eram lentos, barulhentos, sujos, pouco confiáveis e não havia uma rede de distribuição de combustível espalhada pelo país. Ironicamente, os motivos pelos quais o carro elétrico não pega “hoje”.

Os teóricos da conspiração adoram apontar como a indústria malvada matou o carro elétrico, sendo que a indústria malvada do petróleo abusar da pobre e inocente indústria automobilística não faz muito sentido. Na realidade o que matou o carro elétrico é o mesmo que faz você odiar seu smartphone: a bateria.

As cidades cresceram, os engarrafamentos aumentaram, as pessoas passaram a dirigir mais e mais. Lembre-se, em cidades como Rio e São Paulo um trajeto de 40 km pode virar 120 km, se somar o tempo parado ou se arrastando no congestionamento.

Mesmo assim há quem tente, e a Tesla Motors, empreendimento de Elon Musk, nosso Tony Stark favorito, conseguiu a proeza de projetar o primeiro carro elétrico que não parece saído da mente de um designer que se resignou que jamais terá contato íntimo com uma mulher.

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Claro, os Teslas são absurdamente caros, dependem de carregadores especiais (ou dezenas de horas de tomada) e boa parte da grana da empresa vem da venda de bônus ecológicos. O Governo dos EUA também banca um incentivo de US$ 7 mil para quem comprar carros elétricos.

A solução proposta pela Tesla, trocar o conjunto inteiro de baterias a cada reabastecimento é no mínimo risível, então suas viagens dependem de paradas estratégicas de algumas horas do carro na mamadeira.

Há também o problema do som, que é nenhum. Veja por exemplo este patético carro de Formula-E, categoria criada para agradar ecochatos e enterrar de vez o automobilismo.

Em conclusão: o carro elétrico será uma ótima opção, quando ficar pronto. Você ainda está comprando um Newton, enquanto sonha com um iPad.

A mídia entretanto não usa nenhum desses argumentos para se posicionar contra a tecnologia. A discussão é bem mais rasteira e absolutamente injusta contra a Tesla.

O jornalismo tem a característica de criar e destruir coisas belas. Jornalistas se entediam e na falta do que fazer pesquisam as personalidades que colocaram em evidência, se reúnem numa kabala secreta e decidem quem irão derrubar. Elon Musk é a bola da vez.

Nos últimos meses 3 acidentes com Teslas envolveram incêndios. Ninguém se feriu, ninguém morreu, mas tudo foi tão alardeado que no primeiro acidente as ações da empresa caíram 12%. A causa do incêndio? Um caminhão deixou cair uma peça de metal na auto-estrada, que quicou e perfurou parte do compartimento da bateria do Tesla. Nos outros casos, colisões frontais.

Carros tendem a se danificar em acidentes, a única forma do carro ser indestrutível seria construí-lo com o material que usam pra fazer as caixas-pretas dos aviões. Automóveis normais pegam fogo, mesmo sem black blocs por perto. É algo tão comum que nem mais é notícia, a não ser quando o Comandante Hamilton está por perto.

Mesmo assim, se é um Tesla, obviamente é uma armadilha mortal pronta a eletrocutar e incinerar você e toda sua família.

Agora a histeria atingiu níveis épicos:

Sites estão noticiando que três funcionários da Tesla ficaram feridos em um acidente na fábrica, “não conectado com os incêndios.

Vamos entender: acidentes em fábricas, no caso com uma prensa de alumínio. Isso é notícia desde quando? E qual o sentido de forçar uma “não-conexão”? Querem dar a entender que havia a suspeita dos carros serem tão perigosos que explodiriam ainda na montagem?

A Tesla está vivendo seu momento Apple, é o centro das atenções boas e ruins, então os tais escravos da Foxconn, que produzem para Apple, Microsoft, Dell, HP e dezenas de outras marcas são só associados a Cupertino. Por outro lado isso gera o chamado Efeito Tuskegee, quando era tão consenso a idéia de que negros eram inferiores, incapazes da nobre arte de pilotar caças, que o Exército preparou o experimento para falhar.

Fizeram exigências enormes, no final terminaram com um grupo altamente qualificado, muito mais que qualquer corpo voluntário normal. Viviam sob a sombra do fechamento da unidade, os superiores o tempo todo provocando e procurando motivos para mostrar que aquele grupo era, sim, inferior. Terminaram como uma das unidades mais condecoradas da 2a Guerra, chegando a abater 3 jatos ME-262 em uma única missão. E pilotados pela Raça Superior!

Tuskeegee

Quanto ao carro elétrico, várias empresas estão entrando no mercado, inclusive as grandes montadoras, mas ele não se tornará uma alternativa válida enquanto não puder ser abastecido com a mesma velocidade e praticidade de um carro normal. Afinal, de que adianta um Tesla Roadster Sport de US$ 128 mil na garagem se você chegou da night, esqueceu de ligar na tomada e no dia seguinte só tem 18 metros de autonomia?

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