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Makerbot quer salvar o mundo, uma impressora 3D por vez

O pessoal da Makerbot ataca novamente. Agora querem salvar o mundo colocando impressoras 3D em todas as escolas. Não é uma boa idéia. Leia e descubra o porquê.

13/11/2013 às 10:16

replicator

Uma das características da juventude é que passamos por diversas fases. Todo mundo já teve fase comunista, fase roqueiro, fase onde acreditava em Erich Von Däniken e aquela fase onde temos a solução para todos os problemas do mundo, conhecida como adolescência. Por isso senti certa solidariedade quando assisti a uma palestra de um dos fundadores do movimento Make. Diante de uma platéia de publicitários e executivos de mídia o sujeito explicava como estava mudando o mundo com oficinas onde desocupados entusiastas brincariam com componentes eletrônicos, construindo máquinas , exercitando a imaginação, etc.

Depois ele começou a falar do "futuro", as impressoras 3D. Ele tinha certeza de que seriam a grande quebra de paradigma, destruindo o modelo industrial, deixaríamos de comprar objetos prontos e produziríamos tudo em casa.

Agora a Makerbot está tentando financiar via crowdfunding um projeto para que cada escola dos EUA receba uma impressora 3D. Segundo o CEO da empresa, Bre Pettis (não google, é irritantemente hipster)Há 100 mil escolas nos EUA e queremos que esses estudantes estejam prontos para o futuro”. E continua: “Precisamos encorajar os professores e os jovens a pensar de forma diferente sobre manufatura e inovação!”

Isso quer dizer exatamente… NADA.

Não me entendam mal. Como trekker uma parte de mim acredita na tecnocracia, acredita que a tecnologia trará a solução para os problemas do mundo, que robôs nos livrarão do trabalho, que replicadores moleculares alimentarão milhões enquanto produzem todos os gadgets que quisermos, a custo zero, etc, etc. Só que na prática, não funciona assim.

Bem antes do Open Source, nos primórdios da microinformática todo mundo acreditava que no futuro estaríamos programando nossos computadores. Programação seria tão obrigatória e simples como inglês ou espanhol. O futuro chegou e quem tem tempo de aprender os meandros do XCode, do Visual Studio, do Eclipse? As linguagens infantis dos anos 80, como BASIC, Pascal e Clipper (eu sei, eu sei, cartas pra redação) não conseguiram acompanhar a evolução da complexidade de nossos computadores. Pessoas normais não tem tempo nem conhecimento nem interesse para passar um mês programando um app.

Da mesma forma mesmo com o Blender disponível, quanta gente produz animações 3D de qualidade? A curva de aprendizado desse tipo de programa é enorme, como é a curva de aprendizado de um CAD, e adivinhe: modelar objetos para impressão 3D não é simples nem fácil, a não ser que você queira fazer cubos e esferas e aquela maldita chaleira.

Ah, o prendedor da minha gaveta quebrou” Na cabeça de gente como o Bre Pettis, você simplesmente imprime um substituto. Na prática você vai passar horas modelando mais horas imprimindo. Terminará com uma gambiarra, da cor errada, feita de prástico.

As impressoras 3D são MUITO úteis para prototipamento rápido, mas isso exige toda uma bagagem de conhecimento que usuários leigos/ocasionais não têm.

Digamos assim: um médico precisa saber editar vídeos, conhecendo a fundo um After Effects ou um Autodesk Smoke? Mesmo que tenha esse conhecimento, faz sentido esse desvio de função, quando há usos mais nobres para o tempo dele?

Continuo dizendo: o melhor investimento quando as impressoras 3D estourarem será em estantes. Tok Stok e similares venderão horrores, o pessoal não vai ter mais onde guardar aquele monte de bonequinhos inúteis baixados da Internet e impressos para impressionar (horrível, eu sei) os amigos.

Impressoras 3D em escolas são mais que inúteis, são máquinas de comer tempo, ocupando as crianças com um conhecimento que não precisam, consumindo tempo que poderia ser utilizado aprendendo coisas mais úteis, como interpretação de texto.

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