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Google (submarine) Street View

A idéia do Google por si só é excelente: disponibilizaram via Street View acesso a um submarino britânico usado durante a Guerra Fria. É muito legal passear e ver o interior do barco, mas o bom mesmo é saber que o Brasil tem um submarino-museu da mesma classe, e está aberto para visitação.

06/11/2013 às 10:30


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Em 1954 a guerra submarina mudou completamente. A construção do Nautilus, primeiro submarino nuclear, gerou uma nova categoria de barcos, capazes de permanecer semanas, até meses debaixo d'água. Ultra-silenciosos, desafiavam tudo que os russos tinham. Só que isso não assustou um grupo especial de submarinistas.

Se os americanos eram os mais bem-equipados, os ingleses eram os mais temidos, como descobriram da pior maneira os marinheiros do cruzador argentino General Belgrano, afundados pelo submarino nuclear HMS Conqueror, durante a Guerra das Falklands. Os ingleses dispararam 3 torpedos Mark VIII, cada um com 377 kg de TNT. Dois acertaram o Belgrano e o mandaram pro fundo do Atlântico. O terceiro acertou um dos destróiers de escolta mas não explodiu.

A Argentina protestou horrores, disse que o Belgrano estava saindo da área do combate, que era covardia um submarino nuclear versus um navio velho, etc, etc. Os ingleses responderam que quem não aguenta pede leite, e como consequência o porta-aviões argentino nunca saiu do porto durante a guerra.

Uma desforra era uma preocupação. Havia submarinos argentinos na área, e mesmo sendo diesel-elétricos, os ingleses sabiam muito bem que isso não significava nada. Usando somente motores elétricos um submarino convencional é tão silencioso quanto um nuclear, e embora mais lento, se o comandante for louco ou experiente como um Marko Ramius, pode se esgueirar no meio de um comboio. Os alemães adoravam fazer isso na 2ª Guerra Mundial.

Felizmente o livro de táticas que os argentinos usavam havia sido escrito pelos ingleses, aperfeiçoado em décadas de Guerra, Fria ou Quente. Na parte da Fria boa parte dela foi travada com submarinos convencionais, como os da Classe Oberon.

É um desses que está disponível no Google Street View. É o HMS Ocelot.

ocelot

Lançado ao mar em 1962, era a classe de submarinos mais silenciosa do mundo. Só foi descomissionado em 1991. Até hoje suas missões são secretas, mas sabe-se que nos primeiros 3 anos, navegou mais de 90 mil milhas. É meio que certo que esteve envolvido em missões de espionagem (é, na época já existia) na costa do Báltico, acompanhando os submarinos russos que saíam das bases em Polyarny.

Na época se um espião russo conseguisse uma foto do interior do Ocelot seria eleito Rei da KGB. A tecnologia era super-secreta. Hoje qualquer um pode acessar o Street View e passear no interior do submarino!

É mais uma daquelas gracinhas do Google, que são muito bem-vindas, pois nos dão a oportunidade de experimentar um pouco de História.

Agora, a parte suculenta: vários países compraram submarinos classe Oberon, incluindo… o Brasil.

O mais famoso dele, o S-22 Riachuelo.

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Servindo de 1977 até 1997, teve o mesmo fim nobre do Ocelot: foi transformado em barco-museu. Hoje se encontra no Espaço Cultural da Marinha, junto com o Contratorpedeiro Bauru, a Nau Capitânea (não vamos falar disso) e o rebocador de alto-mar Laurindo Pitta. O mais legal é que é possível visitar E entrar nas embarcações.

É um passeio muito legal, fiz várias vezes e recomendo. O pessoal do Espaço é bem legal, tratam os visitantes e o acervo com carinho e respeito, exceto uma vez onde um mané, oficial de outra unidade estava visitando e deu queixa a um dos marinheiros, avisando que eu estava tirando muitas fotografias.

O abestado achou que eu estava espionando aquela incrível tecnologia dos Anos 70, pra vender aos russos?

O marinheiro chegou, pediu desculpas, disse que o cara era oficial e se ele peitasse, iria preso, mesmo não fazendo sentido NENHUM não tirar fotos, afinal “ali era um museu”. O idiota olhou de longe, se deu por satisfeito, foi embora e eu continuei tirando fotos, com a gratidão do marinheiro por não ter rolado barraco.

Espaço Cultural da Marinha

  • Visitação: de 3ª feira a domingo, das 12 às 17 h
  • Endereço: Av. Alfredo Agache, s/n, Centro, próximo à Praça XV, Rio de Janeiro
  • Telefone: (21) 2233-9165 / (21) 2104-6721
  • Entrada Franca. Crianças são bem-vindas. Não por mim, mas são. 😉

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