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Sujeito banido do Facebook pelo equivalente a dizer que adora abocanhar um cacete

Toda criança adora quando descobre que fila em Portugal é bicha, injeção é pica, etc, etc. Esses regionalismos de duplo-sentido são divertidos, mas agora estão começando a prejudicar as pessoas que os usam de forma inocente, pois são denunciados por gente incapaz de perceber que o mundo não gira em torno delas. Como aconteceu com um inglês, banido do Facebook por dizer o que para um americano soou como “eu adoro comer boiolas”.

04/11/2013 às 10:20

penis

É normal em Cinema/TV adaptar o texto para se acomodar à cultura local. Um exemplo que ninguém percebe é que navios em inglês são no feminino, não importa se você está NO Nimitz, o capitão vai sempre falar “Steady as SHE goes”. Como no Brasil navio é um substantivo masculino, muda-se o artigo no nome.

Em outros casos a sonoridade dos nomes não encaixa no idioma. No Família Dinossauro o nome do Dino era… Earl, um tranca-língua desgraçado ainda mais pra crianças. Virou… Dino.

Quando o nome soa como palavrão então, é imperativo mudar. Foi o que George Lucas fez, quando lançaram os novos filmes de Guerra nas Estrelas. Não foi um, foram vários casos de nomes complicados.

O Capitão Panaka passou a ser chamado só de Capitão.

O Conde Doku virou Dookan.

E o Mestre Jedi Sifo Dyas passou a ser chamado de Zaifo Dyas.

Essas diferenças de idioma são legais, engraçadinhas e inofensivas, exceto nos tempos modernos globalizados em que vivemos atualmente nos dias de hoje. Muita gente tacanha não tem noção de que quando um gaúcho diz que adora um cacetinho, não está sendo moderado em sua libido, e que se um português te convidar dizendo que faz a melhor punheta da região, não é para se animar (tanto). Ou não se decepcionar, sei lá.

Em tempos de atirar primeiro e perguntar depois (ou nem isso), sobra pra vítimas inocentes, como um tal de Robert Wilkes. Ele participava tranquilamente de um grupo no Facebook quando comentou que adorava “faggots”. Em inglês americano isso soa como “eu gosto de bichas”, o que é, convenhamos, ofensivo, inclusive para quem não gosta, pois agora sabe que aquele cara esquisitão faz parte do grupo.

Robert teve seu comentário negativado e denunciado por um monte de cidadãos bem-intencionados. O problema é que a Guerra é a forma com que Deus ensina geografia aos norte-americanos, e faz tempo que não se pegam com os ingleses. Por isso os cidadãos não tinham idéia de que o termo poderia ter outro significado, pulando a poça.

A mensagem de alerta chegou no estagiário do Facebook:

estagiario

Como não é exigido dele mais compreensão do que a dos comentaristas de portais de notícias, o estagiário do Facebook só consegue ler por palavras-chave. Viu a denúncia por homofobia, viu o termo “faggot”. A sinapse se acendeu (“a”) e ele marcou a denúncia como válida. Robert foi banido por 12 horas.

O que era a tal “faggot” que tanto problema causou? Só digo uma coisa: parece gostosa essa bicha.

essabichaeucomia

Na Inglaterra Faggot é uma almôndega feita com miúdos de porco, bacon, cebolas e carne de segunda. A mensagem foi escrita no contexto alimentício e bastaria um mínimo de bom-senso para nada ter acontecido, afinal é o equivalente a um sujeito dizer que gosta de pé-de-moleque, e ser preso por pedofilia com agravante por canibalismo.

Como as pessoas NÃO estão ficando mais inteligentes, mas estão se tornando mais e mais patrulheiras do politicamente correto, esse tipo de problema tente a ocorrer com mais e mais frequência. Felizmente Brasil e Portugal não interagem tanto via Internet, ou ambos sofreríamos com esse patrulhamento.

Eu mesmo já fui vítima disso. Aqui no Rio usamos “neguinho” como sinônimo de “alguém”. Vieram me encher o saco dizendo que era um termo racista. Falei que não era. Insistiram, puxaram Gilberto Freire, diabo a quatro.

Defenderam que sempre que a expressão era usada, EM QUALQUER CASO, o termo tinha conotação negativa. Pedi para lerem o tweet original onde usei o termo. Era algo como:

“Revoltante. Neguinho rala pra caramba, produz conteúdo legal, de 1ª, vem um FDP e rouba”.

Esperemos que não chegue a isso, mas prevejo um futuro onde teremos que nos policiar o tempo todo, para fugir dos ofendidos profissionais, incapazes de perceber que a riqueza dos idiomas, das culturas, está em sua diversidade natural, e que se a minha intenção não foi ofender e alguém se ofendeu por não entender o contexto ou carecer de vocabulário, que se rale.

Igual à mula que deu queixa pra direção de um BBS quando me prontifiquei a ajudá-la, escrevi um tutorial enorme e comecei com “vamos por partes, pequena gafanhota”. A histérica disse que eu a havia xingado de inseto.

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