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Para game designer, indústria precisa de menos Britney Spears e mais Pink Floyd

Para criador da série Oddworld, está na hora dos departamentos de vendas deixarem os estúdios criarem mais “jogos Pink Floyd” e menos “Britney Spears”.

24/10/2013 às 13:00

Another Brick In The Wall

Quem me conhece há algum tempo sabe o quanto defendo os games como forma de arte e de disseminação cultural. Sei que para muitas pessoas a mídia não passa de uma forma de entretenimento, que não precisa ter conteúdo e que só serve para esvaziarmos a cabeça depois de um longo dia de trabalho, mas tendo aprendido tanto com os games e enxergando neles uma excelente ferramenta de ensino, acho que nunca conseguirei concordar com tal opinião.

E um game designer que parece estar do meu lado é Lorne Lanning, criador da série Oddworld e CEO da Oddworld Inhabitants. Para ele, está na hora dos departamentos de marketing e vendas deixarem os estúdios criarem jogos mais “inteligentes”.

Como contadores de histórias do século 21, muitos designers, criadores e escritores serão obrigados a criar conteúdos mais profundos e relevantes que reflitam as questões desafiadoras que acontecem no mundo a nossa volta atualmente. Os contadores de histórias tem feito isso desde o início. Shakespeare refletia a corrupção governamental em suas peças sem pregar sobre as questões óbvias de seus dias. O Pink Floyd era capaz de expressar habilmente seus problemas com as negativas práticas da indústria musical e o desânimo com o capitalismo, enquanto em contrapartida fazia algumas das mais bem sucedidas músicas de todos os tempos.

Quando o conteúdo é profundo e significativo, então você pode criar produtos de entretenimento altamente digeríveis e amplamente consumíveis. Ou você pode criar os discos da Britney Spears. A indústria de games tem sido mais voltada pra conteúdo no estilo Britney Spears do que Pink Floyd. Nós sempre deveríamos mirar entregar mais do último.

Eu não serei hipócrita aqui dizendo que não adoro passar horas diante da TV disputando um campeonato virtual em algum jogo de esporte ou simplesmente testando minha mira em algum FPS descerebrado, no entanto, concordo que precisamos de mais games que sirvam também como crítica social, assim como vimos nos livros, filmes e na própria música. Ou você vai me dizer que prefere ouvir música industrializada todos os dias?

Fonte: GamesIndustry.

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