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Foxconn confirma: estudantes de TI foram forçados a montar o PS4 sob ameaça de não se graduarem

Foxconn confirma que “ações imediatas” precisaram ser tomadas: estudantes foram chantageados por instituto sob ameaça de não receberem créditos de aulas!

10/10/2013 às 16:45

Dá para ver pelas caras que amam MESMO a Foxconn

Mês que vem a nova geração de consoles estará chegando, com o PS4 e o Xbox One lendo lançados mundialmente. Mas se uma turma está ansiosa pelo lançamento, outra não está nem um pouco contente pelo simples fato que foram cruelmente explorados. Segundo denúncias milhares de estudantes do Instituto Xi'An de Tecnologia, um dos maiores da China foram forçados a trabalhar sem remuneração para a Foxconn na montagem do novo console da Sony, em um conluio entre a fábrica e a órgão educacional sob ameaça de impossibilidade de graduação caso se recusassem.

Segundo informações do site Tencent Games (com tradução aqui), a Foxconn teria oferecido um estágio não-remunerado aos estudantes, mas uma vez na fábrica como sempre a história mudou: eles foram forçados a trabalhar e ameaçados com a perda de seis créditos estudantis (essenciais para se graduarem) caso não cooperassem. Com isso os estagiários foram alocados na linha de montagem do PS4, muitos deles executando trabalhos que nada tinham a ver com sua graduação, serviços braçais mesmo: embalamento do console, colagem de adesivos, outros foram alocados no departamento de entregas... sem mencionar que muitos deles faziam turnos noturnos excessivamente longos e muitas horas extras, lembrando, de graça e sob a possibilidade de não se formarem. Cruel é pouco.

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A Foxconn admitiu a irregularidade em sua fábrica e tomou "ações imediatas" para resolver a situação. Entretanto, com uma frieza de fazer inveja declarou que "os estudantes podem deixar o programa de estágio a qualquer momento, mas de fato perderão os créditos estudantis".

Que a Foxconn não é santa a gente sabe há muito tempo; ela inclusive tentou importar seu estilo de trabalho para o Brasil, algo que não deu muito certo pois bem ou mal nossas leis trabalhistas funcionam (se bem que Samsung conseguiu driblar o MPT por um tempo). Porém o que ocorre na China é um verdadeiro conluio: o Instituto Xi'an se recusou a comentar o caso, se limitando a dizer que "o programa de estágio ensina aos alunos como a vida funciona, e isso é legal". Já a Sony tirou o seu da reta, declarando que a Foxconn atende o código de conduta da empresa, se comprometendo "no cumprimento de todas as leis, ética e condições de trabalho, respeito pelos direitos humanos, preservação do meio ambiente, saúde e segurança.".

No fim nada mudará: o console chegará às lojas no prazo, os estudantes receberão seus créditos após se matarem de trabalhar e a Foxconn (que também monta o Xbox One e o Wii U, é bom frisar) sai pela tangente de novo, pois ninguém deixará de consumir o que ela fabrica. Mas que o PS4 ficou com um sabor mais amargo, isso ficou.

Fontes: ET e Ars Technica.

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